Kamala Harris acusa Trump de arrastar EUA para guerra contra o Irã e critica ofensiva alinhada a Netanyahu
Ex-candidata democrata afirma que presidente conduz “guerra de escolha” e coloca tropas americanas em risco em escalada militar contra Teerã
247 – A ex-vice-presidente dos Estados Unidos e ex-candidata democrata à Casa Branca, Kamala Harris, acusou neste sábado (28) o presidente Donald Trump de arrastar o país para uma guerra contra o Irã que “o povo americano não quer”. Derrotada por Trump nas eleições presidenciais de 2024, Harris criticou duramente os ataques promovidos pela atual administração norte-americana contra alvos iranianos e afirmou que se opõe a qualquer tentativa de mudança de regime em Teerã.
Em publicação nas redes sociais, ela responsabilizou diretamente Trump pela escalada no Oriente Médio.
“Donald Trump está arrastando os Estados Unidos para uma guerra que o povo americano não quer. Deixem-me ser clara: eu me oponho a uma guerra de mudança de regime no Irã, e nossas tropas estão sendo colocadas em risco por causa da guerra de escolha de Trump”, escreveu.
A mensagem foi acompanhada de um comunicado intitulado “Declaração de Kamala Harris sobre os ataques do governo Trump ao Irã”, no qual ela amplia as críticas à decisão da Casa Branca de realizar ofensivas militares em meio à crescente tensão regional e à convergência estratégica com o governo de Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel.
“Imprudência disfarçada de força”
No texto, Harris classifica a ofensiva como “uma aposta perigosa e desnecessária com vidas americanas”, alertando que a medida compromete a estabilidade do Oriente Médio e a posição internacional dos Estados Unidos.
“Esta é uma aposta perigosa e desnecessária com vidas americanas, que também coloca em risco a estabilidade da região e a nossa posição no mundo. O que estamos testemunhando não é força. É imprudência disfarçada de firmeza”, afirmou.
Ela acrescenta que reconhece as divergências históricas com o governo iraniano, mas sustenta que a via militar não é o caminho para enfrentar a questão nuclear.
“Eu sei da ameaça que o Irã representa, e eles jamais devem ser autorizados a ter uma arma nuclear, mas este não é o caminho para desmantelar essa ameaça”, declarou.
Crítica à promessa de campanha de Trump
Harris também relembrou declarações feitas por Trump durante a campanha presidencial e contestou a coerência de sua política externa.
“Durante a campanha, Donald Trump prometeu acabar com guerras, em vez de iniciá-las. Foi uma mentira. Depois, no ano passado, ele disse que havia ‘obliterado’ o programa nuclear do Irã. Isso também foi uma mentira”, escreveu.
No trecho final do comunicado, ela afirma que o conflito pode resultar em baixas entre militares norte-americanos e cobra maior responsabilidade institucional.
“O presidente já disse que este conflito pode produzir vítimas americanas. Nossos soldados merecem um comandante-em-chefe que tome decisões sobre guerra e paz com a mesma firmeza e disciplina que eles demonstram todos os dias.”
Harris ainda sustenta que, pela Constituição dos Estados Unidos, o presidente deve obter autorização do Congresso para iniciar uma guerra e defende que o Legislativo atue para conter a escalada.
“Nos termos da Constituição dos Estados Unidos, o presidente deve receber autorização do Congresso para entrar em guerra. Mesmo que tivesse essa autorização, isso não muda o fato de que esta ação é imprudente, injustificada e não conta com o apoio do povo americano. Não pode haver qualquer ambiguidade em nossa oposição à guerra de escolha de Donald Trump, e o Congresso deve usar todo o poder disponível para impedir que ele nos comprometa ainda mais com este conflito.”
A manifestação de Harris ocorre em meio ao agravamento das tensões entre Washington e Teerã, após ataques conduzidos pelos Estados Unidos em coordenação estratégica com Israel. A ofensiva eleva o risco de uma guerra de maiores proporções no Oriente Médio e aprofunda o debate interno nos EUA sobre os limites do poder presidencial para iniciar ações militares sem autorização formal do Congresso.


