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Netanyahu afirma que campanha de agressão ao Irã "não vai levar anos"

Premiê de Israel diz que conflito com apoio dos EUA deve durar semanas enquanto ataques se espalham pelo Oriente Médio

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu - 29/09/2025 (Foto: REUTERS/Kevin Lamarque)

247 - O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarou que a guerra contra o Irã “não vai levar anos”, em meio à intensificação dos confrontos no Oriente Médio, que já afetam o transporte aéreo global e pressionam os preços da energia, segundo a agência Reuters.

A agressão aérea conduzida por Estados Unidos e Israel teve início no sábado (28) e rapidamente se expandiu para outros países da região. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, participou do início dos ataques e, embora inicialmente tenha projetado que o conflito poderia durar de quatro a cinco semanas, passou posteriormente a defender uma campanha mais ampla e sem prazo definido.

Em entrevista ao programa “Hannity”, da Fox News, Netanyahu rejeitou comparações com guerras prolongadas no Oriente Médio. “Eu disse que poderia ser rápido e decisivo. Pode levar algum tempo, mas não vai levar anos. Não é uma guerra sem fim”, afirmou.

O tenente-coronel israelense Nadav Shoshani declarou, em coletiva virtual, que a duração da campanha pode variar conforme os desdobramentos no terreno. “Nós nos preparamos para um escopo geral de semanas”, disse. Questionado sobre a possibilidade de envio de tropas terrestres a território iraniano, respondeu que isso é improvável.

Explosões foram registradas em Tel Aviv enquanto sistemas de defesa aérea interceptavam mísseis lançados pelo Irã. Israel confirmou ataques ao complexo da emissora estatal iraniana IRIB, em Teerã, além de ofensivas contra integrantes do Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã, em cidades do Líbano. O Exército israelense informou ter deslocado mais tropas para o sul do Líbano e posicionado unidades próximas à fronteira como parte de uma estratégia de “defesa avançada”.

No Golfo, dois drones atribuídos ao Irã atingiram a embaixada dos Estados Unidos em Riad, causando danos leves e um incêndio. Pelo menos outros oito artefatos foram interceptados antes de alcançar a capital saudita, segundo o Ministério da Defesa da Arábia Saudita.

Desde o início da guerra, centenas de civis morreram no Irã, em Israel, no Líbano e em outros países. O conflito começou após Estados Unidos e Israel matarem o líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, em um ataque aéreo realizado no sábado.

A Guarda Revolucionária do Irã informou que sua Marinha destruiu o principal prédio de comando de uma base aérea norte-americana no Bahrein, em uma ação que chamou de “Operação Promessa da Verdade 4”. Segundo o comunicado, 20 drones e três mísseis atingiram alvos na base localizada na região de Sheikh Isa. O Departamento de Estado e a Casa Branca não comentaram imediatamente as declarações.

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou que “os golpes mais duros ainda estão por vir por parte das Forças Armadas dos Estados Unidos”. Ao ser questionado sobre a duração do envolvimento americano, declarou: “Acreditamos que os objetivos que estabelecemos para esta missão, a destruição das capacidades de mísseis balísticos (do Irã), tanto de lançamento quanto de fabricação, podem ser alcançados sem forças terrestres”. Ele acrescentou: “Neste momento, não estamos posicionados para forças terrestres. Mas, obviamente, o presidente tem essas opções e não vai descartar nada”.

O Departamento de Estado determinou a retirada de funcionários não essenciais do governo norte-americano e seus familiares do Bahrein, do Iraque e da Jordânia.

A escalada militar provocou forte impacto na economia global. O transporte aéreo internacional entrou em colapso, com o fechamento de importantes hubs do Golfo, incluindo o aeroporto de Dubai, o mais movimentado do mundo em voos internacionais, que permaneceu fechado pelo quarto dia consecutivo. Milhares de passageiros ficaram retidos. O Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do comércio mundial de petróleo, teve o tráfego interrompido, elevando os preços do petróleo e os custos de frete marítimo a níveis recordes.

As Forças Armadas dos Estados Unidos informaram ter atingido mais de 1.250 alvos no Irã e destruído 11 embarcações iranianas. Seis militares norte-americanos morreram em ataques de retaliação realizados pelo Irã no Kuwait.

Em meio à crise, um integrante da Assembleia dos Peritos do Irã, responsável por escolher o novo líder supremo, afirmou que a definição do sucessor de Khamenei “não vai demorar”, segundo a agência iraniana ISNA.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que ordenou a ofensiva para impedir o avanço do programa nuclear e do programa de mísseis balísticos iranianos. Ele afirmou que havia uma ameaça iminente, embora não tenha apresentado detalhes públicos. O Irã nega buscar armas nucleares e sustenta que o ataque foi injustificado, ocorrido enquanto Teerã e Washington negociavam um acordo nuclear.

Rússia, China e Turquia condenaram a guerra. O Reino Unido autorizou o uso de suas bases por forças norte-americanas para o que classificou como ataques “defensivos” contra armamentos iranianos.

Uma pesquisa Reuters/Ipsos realizada no fim de semana apontou que apenas um em cada quatro norte-americanos apoia o ataque ao Irã, em meio ao que analistas consideram a maior aposta de política externa dos Estados Unidos em décadas.

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