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Orçamento de Trump para 2027 reforça gastos militares e corta programas sociais

Proposta de orçamento de Trump para 2027 prevê até US$ 1,5 trilhão em defesa e reduz foco em programas sociais

Donald Trump (Foto: Reuters)

247 - O governo dos Estados Unidos deve divulgar nesta sexta-feira (3) a proposta de orçamento para 2027 do presidente Donald Trump, que prevê um aumento expressivo nos gastos militares, podendo alcançar US$ 1,5 trilhão — o maior patamar em décadas — em detrimento de programas domésticos. A iniciativa reforça a estratégia da Casa Branca de priorizar investimentos em defesa diante de novos desafios globais, segundo informações da Associated Press.

O plano orçamentário reflete uma mudança clara de prioridades, com foco na modernização das Forças Armadas e no fortalecimento da capacidade militar dos EUA. A proposta surge em meio à guerra liderada pelos Estados Unidos contra o Irã e à solicitação recente do Pentágono de US$ 200 bilhões adicionais para custear operações militares e recompor estoques de armamentos.

Antes mesmo da intensificação do conflito, Trump já indicava a intenção de ampliar os investimentos em defesa como forma de preparar o país para ameaças do século XXI. Em discurso recente, o presidente deixou clara a centralidade dessa agenda. “Estamos lutando guerras. Não podemos cuidar de creches”, afirmou. Ele acrescentou: “Não é possível para nós cuidar de creches, Medicaid, Medicare — todas essas coisas individuais. Eles podem fazer isso em nível estadual. Não dá para fazer isso em nível federal”.

O orçamento presidencial anual, embora não tenha força de lei, funciona como um indicativo das prioridades da administração. Cabe ao Congresso aprovar ou rejeitar as propostas, e historicamente os parlamentares fazem alterações significativas. O cenário atual aponta para um embate político intenso, especialmente porque Câmara e Senado ainda enfrentam impasses sobre os gastos de 2026.

Os Estados Unidos operam atualmente com déficits anuais próximos de US$ 2 trilhões, enquanto a dívida pública ultrapassa US$ 39 trilhões. Aproximadamente dois terços dos gastos federais, estimados em cerca de US$ 7 trilhões por ano, são destinados a programas obrigatórios como Previdência Social, Medicare e Medicaid, que crescem automaticamente com o envelhecimento da população.

O restante do orçamento costuma ser dividido de forma mais equilibrada entre defesa e despesas domésticas, ambas girando em torno de US$ 1 trilhão. É nesse segmento que se concentra a maior parte das disputas políticas no Congresso.

Além do orçamento, Trump já havia impulsionado suas prioridades por meio de um amplo pacote de cortes de impostos aprovado no ano passado, que destinou pelo menos US$ 150 bilhões adicionais ao Pentágono e US$ 170 bilhões para políticas de imigração e deportação no Departamento de Segurança Interna.

A nova proposta foi elaborada sob coordenação do diretor de Orçamento, Russ Vought, e serve como guia para os parlamentares na elaboração das leis de gastos e das dotações anuais que mantêm o governo em funcionamento. Vought se reuniu recentemente com parlamentares republicanos para discutir os detalhes do plano.

O envio do orçamento ocorre em um momento de forte tensão política, com paralisação parcial do governo federal já chegando a 49 dias, em meio a divergências sobre financiamento do Departamento de Segurança Interna. Democratas pressionam por mudanças nas políticas migratórias, enquanto republicanos resistem às exigências.

Mesmo com um acordo preliminar entre líderes republicanos para destravar o financiamento do departamento, o Congresso ainda não votou novas medidas, já que os parlamentares estão em recesso. Diante disso, Trump anunciou que assinará uma ordem executiva para garantir o pagamento dos funcionários afetados pela paralisação.

No histórico recente, o Congresso nem sempre acatou as propostas da Casa Branca. No orçamento anterior, por exemplo, Trump sugeriu uma redução de cerca de 20% nos gastos não relacionados à defesa, mas os parlamentares mantiveram os níveis praticamente estáveis. Programas que o governo tentou eliminar, como subsídios para energia doméstica, acabaram recebendo pequenos aumentos.

Outras iniciativas, como os subsídios para desenvolvimento comunitário — usados por estados e municípios em projetos de infraestrutura e habitação popular — também foram preservadas. Parlamentares têm reforçado a necessidade de que o Executivo cumpra rigorosamente as diretrizes orçamentárias aprovadas pelo Congresso.

A senadora Patty Murray, principal democrata no Comitê de Apropriações do Senado, destacou que os projetos de lei deste ano incluem “centenas e centenas de níveis específicos de financiamento e diretrizes” que a administração é obrigada a seguir, evidenciando o grau de controle legislativo sobre os gastos federais.

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