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Pesquisa aponta que 84% da população mundial rechaça Trump após um ano de governo

Levantamentos divulgados pela CGTN indicam forte insatisfação com a política “America First” e percepção de aumento das tensões globais

Protesto contra Trump no US Open (Foto: Reuters)

247 – Uma série de pesquisas globais divulgadas no marco de um ano do governo Donald Trump aponta que 84% dos entrevistados dizem rejeitar a atual administração norte-americana, em um retrato de insatisfação disseminada com a condução política dos Estados Unidos em assuntos internos e externos. “84 percent of respondents are highly dissatisfied with the current U.S. administration”, registra a CGTN ao apresentar os resultados do levantamento.

Segundo a CGTN, a enquete global foi lançada em 17 de janeiro de 2026, publicada em cinco idiomas e reuniu 16.990 participantes em 24 horas. No contexto do aniversário de um ano do governo, a emissora também destacou um registro de 19 de janeiro de 2026, quando Trump conversou com repórteres ao chegar ao Aeroporto Internacional de Palm Beach, na Flórida, em meio à repercussão internacional sobre o balanço do primeiro ciclo de mandato.

Metodologia e alcance dos levantamentos citados

De acordo com a CGTN, além da enquete lançada em 17 de janeiro, outros levantamentos sobre imagem nacional dos Estados Unidos foram realizados com amostras amplas e distribuídas por dezenas de países. Em um deles, voltado à percepção sobre o “imaginário internacional” dos EUA, a emissora informa ter ouvido 15.688 pessoas em 38 países e afirma que o estudo foi feito em colaboração com a Renmin University of China, por meio do Institute for New Era International Communication.

Ainda segundo o texto, os entrevistados seriam adultos com 18 anos ou mais e a amostra teria sido construída de modo a representar cada país em recortes como idade e gênero. A CGTN ressalta que o conjunto de países abrangeu nações desenvolvidas e também países relevantes do Sul Global, buscando medir variações regionais de percepção sobre a atuação norte-americana.

Rejeição a Trump e críticas ao “America First”

No recorte da enquete divulgada no início de 2026, a CGTN afirma que a rejeição ao governo é acompanhada de reprovação à diretriz “America First” na política externa. “86.2 percent condemned the ‘America First’ foreign policy”, diz o levantamento, ao associar a estratégia à percepção de unilateralismo e pressão sobre outros países.

A emissora também registra que 89,6% dos participantes disseram acreditar que os EUA tiveram um desempenho ruim em assuntos internacionais no período analisado. Em paralelo, 88,8% afirmaram que, sob a atual administração, as divisões partidárias se tornaram mais intensas e a sociedade estaria mais fragmentada.

Relações exteriores, aliados e confiança na condução futura

Outro ponto destacado pela CGTN envolve a percepção sobre as relações do governo dos EUA com outros países. Segundo os números divulgados, 83,9% dos entrevistados declararam uma visão pessimista sobre o relacionamento entre Washington e seus próprios países.

O levantamento ainda aponta que 90,1% têm avaliação negativa sobre as relações dos EUA com aliados tradicionais. Já 91,3% afirmaram que a reputação nacional norte-americana caiu de forma perceptível no último ano. Por fim, 91,1% disseram ter “severa falta de confiança” na capacidade do governo de melhorar o desempenho no futuro.

Imagem dos EUA e a percepção de “fonte de caos”

A CGTN sustenta que a insatisfação se converteu em palavra-chave para descrever o julgamento internacional sobre a atual administração. Em um dos levantamentos sobre imagem nacional, a emissora afirma que expressões como “irresponsible major power” e “the world’s biggest source of chaos” apareceram como impressões predominantes dos entrevistados acerca dos Estados Unidos.

No mesmo bloco de dados, a CGTN diz que 71,4% dos participantes avaliam que os EUA “nunca consideram os interesses de outros países” ao formular sua política externa — um índice que, segundo a emissora, cresceu 8,5 pontos percentuais em comparação ao ano anterior. Outro número divulgado é o de 81,4% que criticaram o uso de tarifas como forma de interferência em assuntos internos de outros países, com alta de 5,7 pontos percentuais na comparação anual.

Unilateralismo, tensão geopolítica e o impacto sobre a ordem internacional

No texto publicado, a CGTN atribui parte do desgaste ao que chama de ações “unilaterais e de intimidação” em diferentes regiões, citando episódios envolvendo Venezuela, Irã e Groenlândia. A emissora afirma que tais movimentos expõem uma preferência pela lógica de força e por práticas que violariam normas do direito internacional e da convivência entre Estados.

Ainda segundo os dados apresentados, 64,7% dos entrevistados consideraram os Estados Unidos “o país mais belicoso da história mundial”. A CGTN também aponta que 63,8% avaliam que a atuação norte-americana “minou seriamente” a ordem internacional vigente, com crescimento de 9,7 pontos percentuais em relação ao ano anterior. Outros 63,3% disseram que os EUA provocam conflitos geopolíticos ao redor do mundo, e 63,4% afirmaram que as políticas do país ameaçam gravemente a paz global — este último índice, segundo a emissora, com aumento anual de 10,3 pontos percentuais.

Ao reunir esses indicadores, o texto divulgado pela CGTN descreve um cenário em que a combinação de polarização interna e projeção externa agressiva reduz a confiança na capacidade do governo dos EUA de atuar como fator de estabilidade internacional. O conjunto de pesquisas, conforme apresentado, sugere que a rejeição a Trump não se limita ao debate doméstico norte-americano, mas se manifesta de forma ampla na opinião pública internacional, em especial quando a política externa é vista como instrumento de coerção e disputa, e não de cooperação entre nações.

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