Polícia do Reino Unido faz buscas em propriedades de ex-embaixador ligado a Jeffrey Epstein
Operação mira relações e possíveis conexões do diplomata com a rede do criminoso sexual
247 - A polícia do Reino Unido realizou buscas em dois endereços ligados a Peter Mandelson no âmbito de uma investigação sobre possível má conduta em cargo público. A ação ocorreu após reportagens sobre a proximidade entre o ex-embaixador britânico nos Estados Unidos e o criminoso sexual Jeffrey Epstein. Segundo a Reuters, os mandados foram cumpridos nesta sexta-feira (6) em dois locais, um em Wiltshire, no sul da Inglaterra, e outro em Camden, em Londres.
Documentos divulgados recentemente pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos indicam a existência de e-mails que sugerem que Mandelson teria repassado documentos do governo a Epstein. Os arquivos também apontam que Epstein teria realizado pagamentos ao ex-embaixador e ao seu então parceiro, hoje marido.
Repercussão política e demissão
A repercussão dos relatos sobre a relação entre Mandelson e Epstein gerou críticas à decisão do primeiro-ministro britânico Keir Starmer de nomeá-lo embaixador nos Estados Unidos em 2024. Starmer pediu desculpas pela decisão na quinta-feira (5). A promessa do premiê de divulgar documentos relacionados ao caso depende do andamento da investigação. A polícia solicitou que o governo não torne públicos alguns arquivos para evitar prejuízo às apurações.
Starmer demitiu Mandelson em setembro do ano passado. As novas revelações aumentaram questionamentos dentro da oposição e também entre integrantes do próprio partido do primeiro-ministro. Pesquisas indicam baixa popularidade de Starmer junto à população britânica, e parlamentares avaliam que sua posição política pode ser afetada.
Investigação e revelações
A polícia abriu a investigação na terça-feira (3) após receber denúncias sobre possível má conduta em cargo público, incluindo encaminhamento feito pelo próprio governo. Mandelson deixou o Partido Trabalhista no domingo (1) e renunciou ao cargo na câmara alta do Parlamento na terça-feira (3). Ele não respondeu aos contatos feitos por jornalistas para comentar o caso.
Após o anúncio da investigação, o governo declarou que estava "pronto para fornecer qualquer apoio", em referência ao apoio às autoridades policiais. Os e-mails divulgados também indicam que, em 2009, Mandelson teria enviado a Epstein um memorando preparado para Gordon Brown, então primeiro-ministro do Reino Unido, sobre possíveis vendas de ativos britânicos e mudanças tributárias. Em 2010, teria informado antecipadamente a Epstein sobre um pacote de resgate da União Europeia no valor de 500 bilhões de euros.


