Procuradoria de Paris investiga possíveis crimes de cidadãos franceses ligados a Epstein
O órgão francês informou ter recebido três novos casos, esclarecendo que os documentos podem envolver crimes de diversas naturezas
247 - A Procuradoria de Paris, capital da França, anunciou neste sábado (14) a nomeação de magistrados para analisar provas envolvendo supostas relações de cidadãos franceses com o criminoso sexual estadunidense Jeffrey Epstein. A medida ocorre após a publicação, pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, de documentos relacionados ao financista morto em 2019 na prisão, em um caso classificado oficialmente como suicídio. As informações são da RFI.
O órgão francês informou ter recebido três novos casos, esclarecendo que os documentos podem envolver "crimes de diversas naturezas, incluindo crimes sexuais e financeiros". As investigações estão sendo conduzidas "em coordenação com a Procuradoria Nacional Financeira e em conjunto com a Direção Nacional da Polícia Judiciária (...) para instaurar investigações", segundo a Procuradoria de Paris.
Diplomata francês aparece em documentos
Em 10 de fevereiro, o Ministério das Relações Exteriores da França enviou um relatório indicando que Fabrice Aidan, Secretário Principal de Relações Exteriores, constava nos arquivos divulgados pelas autoridades americanas, sem maiores detalhes. Autoridades francesas destacaram que a investigação buscará reunir provas que corroborem essas informações. Aidan aparece quase 200 vezes nos documentos de Epstein divulgados pela Justiça americana.
O diplomata atuou no Quai d'Orsay por 25 anos a partir dos anos 2000 e trabalhava no grupo Engie, sendo suspenso após as revelações. Até o momento, os documentos não o vinculam diretamente aos crimes sexuais de Epstein, mas indicam participação em um sistema de trocas e favores que permitia ao financista circular em meios diplomáticos e acessar informações internas da ONU.
Defesa nega acusações
A advogada de Aidan declarou que seu cliente contesta "todas as acusações contra ele" e que "nunca houve qualquer consulta a sites de pornografia infantil. O FBI já investigou o caso sem apresentar qualquer acusação, e as investigações realizadas na França chegaram à mesma conclusão". O ministro das Relações Exteriores, Jean-Noël Barrot, afirmou ter encaminhado o caso à Justiça, descrevendo os fatos como "presumidos", e instaurou investigação administrativa e procedimento disciplinar contra o diplomata.
Outras denúncias contra franceses
Em 11 de fevereiro, a Procuradoria recebeu denúncia de uma mulher sueca contra Daniel Siad, recrutador de modelos ligado a Epstein, acusando-o de "atos sexuais", que ela descreve como estupro, e que teriam sido cometidos na França na década de 1990. Em 12 de fevereiro, outra denúncia foi recebida contra o maestro Frédéric Chaslin, referente a suposto assédio sexual em 2016.


