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Putin avalia redirecionar exportações de gás à União Europeia para novos mercados

Diante de plano europeu para banir o gás russo até 2027, presidente afirma que Moscou pode priorizar compradores dispostos a pagar mais

O presidente russo, Vladimir Putin, conduz uma reunião com integrantes do governo por videoconferência em Moscou, Rússia, em 4 de março de 2026 (Foto: Sputnik/Gavriil Grigorov/Pool via REUTERS)

247 - O presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou nesta quarta-feira (4) que o país pode encerrar a maior parte das exportações de gás natural destinadas à União Europeia e direcionar o fornecimento a outros mercados considerados mais promissores. A União Europeia planeja proibir gradualmente a importação de gás russo por gasodutos e também de gás natural liquefeito até o fim de 2027. As informações são da Bloomberg.

Diante desse cenário, Putin declarou que pretende orientar o governo a estudar a possibilidade de redirecionar os volumes atualmente enviados ao bloco. "Outros mercados estão se abrindo agora", afirmou o presidente em entrevista à televisão estatal russa. "Talvez seja melhor para nós encerrar neste momento o fornecimento ao mercado europeu e direcionar esse gás para os mercados que estão se abrindo, consolidando nossa posição neles", acrescentou.

Putin declarou que a Rússia pode seguir o movimento de outros fornecedores que optaram por vender a compradores dispostos a pagar mais. "Alguns clientes surgiram dispostos a adquirir o mesmo gás natural por preços mais altos", disse. Ele também declarou que empresas dos EUA buscam melhores condições comerciais. "As empresas dos Estados Unidos, naturalmente, irão para onde forem melhor remuneradas."

Preços e dependência europeia

Os preços do gás na Europa atingiram nesta semana o maior nível em três anos, em meio à ampliação do conflito no Oriente Médio. Parte das perdas foi revertida após os Estados Unidos anunciarem que pretendem proteger a navegação no Estreito de Ormuz. Embora o fluxo de gás russo para a Europa tenha diminuído desde o início do conflito com a Ucrânia, em 2022, a Rússia ainda fornece gás por gasoduto a alguns países europeus, como Sérvia, Hungria e Eslováquia. O país também mantém entregas a partir da planta Yamal LNG, liderada pela Novatek.

De acordo com o Conselho da União Europeia, o gás russo representou cerca de 13% das importações do bloco em 2025, movimentando mais de 15 bilhões de euros por ano. Putin reuniu-se nesta quarta-feira (4), no Kremlin, com o ministro das Relações Exteriores da Hungria, Peter Szijjarto, e afirmou que a Rússia pretende continuar fornecendo energia a parceiros considerados confiáveis, como Hungria e Eslováquia.

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