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Guerra no Oriente Médio eleva preços do petróleo e gás e derruba bolsas pelo mundo

Ataques contra o Irã elevam temor de desabastecimento e derrubam bolsas na Europa e nos EUA

Irã fecha estreito de Ormuz, responsável pelo trânsito de 20% do petróleo mundial (Foto: REUTERS/Hamad I Mohammed)

247 - A escalada do conflito no Oriente Médio provocou forte turbulência nos mercados internacionais nesta segunda-feira (2). Os preços do petróleo e do gás natural dispararam, enquanto bolsas de valores na Europa e nos Estados Unidos registraram perdas expressivas diante do temor de interrupções no fornecimento de energia.Segundo a RFI, os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã reacenderam preocupações sobre segurança energética e estabilidade financeira global.

Custo de Energia dispara com risco no Estreito de Ormuz

O aumento das tensões colocou no centro das atenções o Estreito de Ormuz, corredor estratégico por onde transita cerca de 20% do petróleo consumido no mundo. Simone Tagliapietra, analista do think tank europeu Bruegel, afirmou que “os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã reacenderam a questão mais crítica de segurança energética para a economia global: a interrupção do fluxo de petróleo e gás do Oriente Médio que transita pelo gargalo energético mais importante do mundo, o Estreito de Ormuz”.

Grandes companhias de navegação passaram a evitar a rota marítima, ampliando as preocupações com o abastecimento global.

No mercado europeu, o contrato futuro do gás natural TTF, referência no continente, avançou 44,18%, atingindo 46,08 euros, e depois superou 50%, chegando a 49,14 euros, o maior nível desde fevereiro de 2025. A alta ganhou força após a estatal QatarEnergy anunciar a suspensão da produção de gás natural liquefeito (GNL) depois de um ataque com drone iraniano.

Neil Wilson, analista da Saxo Markets, avaliou que a medida “sugere potenciais grandes interrupções no fluxo de energia para a Europa”. Ele acrescentou que “o Catar está entre os três maiores exportadores de GNL do mundo”.

O petróleo também registrou valorização expressiva. O barril do Brent subiu 8,67%, para 79,19 dólares, enquanto o WTI avançou 7,62%, para 72,13 dólares.

Bolsas caem e dólar ganha força

A disparada das commodities energéticas pressionou os mercados acionários. As bolsas europeias lideraram as perdas: Paris recuou 2,22%, Frankfurt caiu 2,67%, Londres perdeu 1,59% e Milão registrou baixa de 2,53%. Em Wall Street, o Dow Jones cedeu 0,89%, o Nasdaq caiu 0,64% e o S&P 500 recuou 0,63% no início do pregão.

No mercado cambial, o dólar se fortaleceu diante da busca por ativos considerados mais seguros. Fawad Razaqzada, analista da Forex.com, explicou que “o contexto no mercado cambial é claramente favorável ao dólar”, devido à “alta dos preços da energia e ao aumento da demanda por ativos de refúgio, enquanto (...) as ações globais estão em queda”. Segundo ele, “os Estados Unidos permanecem em grande parte autossuficientes em energia, ao contrário da Europa e de grande parte da Ásia”.

Neil Wilson também destacou a vulnerabilidade da zona do euro. Para o analista, “as vendas em euros aumentaram (...), já que a zona do euro é a mais exposta ao conflito. A forte alta nos mercados de energia é crucial para entender o que esse conflito implica em termos de crescimento e da resposta da política econômica”.

Transporte marítimo sobe e turismo despenca

Após ataques a dois navios na costa dos Emirados Árabes Unidos e de Omã, a Organização Marítima Internacional orientou companhias a “evitarem” a região. A navegação no Estreito de Ormuz foi afetada, com aumento significativo dos custos de seguro.

Empresas de transporte marítimo registraram valorização. A Maersk subiu 6,60% em Copenhague, e a Hapag-Lloyd avançou 5,51% em Frankfurt. Grandes petrolíferas também foram beneficiadas pela alta dos hidrocarbonetos: a TotalEnergies ganhou 3,76%, a Eni subiu 3,10%, a Repsol avançou 5,39% e a Equinor disparou 8,63%.

Em sentido oposto, companhias aéreas e empresas de turismo sofreram fortes perdas com o cancelamento de voos e o fechamento de rotas. A Air France-KLM caiu 8,09%, a Lufthansa recuou 4,56% e a EasyJet perdeu 2,82%. No setor hoteleiro, a Accor registrou queda de 9,54%, enquanto a TUI caiu 8,69%, refletindo o impacto imediato da crise sobre viagens e lazer internacionais.

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