Putin e presidente do Irã conversam após impasse em negociações com os EUA
‘Putin enfatizou sua disposição de contribuir para uma solução diplomática e de prosseguir com os esforços de mediação’, comunicou o Kremlin
247 - O presidente da Rússia, Vladimir Putin, conversou por telefone neste domingo (12) com o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, após o fracasso das negociações entre delegações iraniana e norte-americana em Islamabad, no Paquistão, em um contexto de crescente tensão no Oriente Médio. A informação foi divulgada pelo Kremlin.
Segundo comunicado oficial, o diálogo abordou os desdobramentos mais recentes na região e destacou a importância das tratativas diplomáticas. Pezeshkian avaliou positivamente o encontro entre Irã e Estados Unidos realizado no sábado (11) e manifestou reconhecimento à postura russa em fóruns internacionais. “O presidente iraniano valorizou as negociações entre o Irã e os EUA realizadas em 11 de abril em Islamabad e expressou seu apreço pela postura de princípio da Rússia, inclusive aquela mantida em fóruns internacionais, com o objetivo de reduzir a tensão”, informou a nota.
O líder iraniano também agradeceu o apoio humanitário oferecido por Moscou à população do país. Em resposta, Putin reiterou o compromisso da Rússia com a busca de soluções diplomáticas para os conflitos na região. “Vladimir Putin enfatizou sua disposição de continuar contribuindo para a busca de uma solução política e diplomática para o conflito e de prosseguir com os esforços de mediação no interesse do estabelecimento de uma paz justa e duradoura no Oriente Médio”, destacou o Kremlin.
Ainda de acordo com o comunicado, Moscou pretende manter diálogo constante com seus parceiros regionais como parte dessa estratégia. Os dois presidentes também discutiram a cooperação bilateral e reafirmaram o interesse em fortalecer as relações entre Rússia e Irã em diversas áreas.
Durante a conversa, Pezeshkian aproveitou para felicitar Putin e os cristãos ortodoxos russos pela celebração da Páscoa.
As negociações entre Irã e Estados Unidos, mediadas pelo Paquistão, ocorreram em meio a um ambiente de desconfiança mútua e divergências profundas. O chefe da delegação iraniana, Mohammad Bagher Ghalibaf, havia demonstrado ceticismo ao chegar a Islamabad. “Nossa experiência em negociações com os americanos sempre foi marcada por fracassos e descumprimento”, afirmou.
Por parte dos Estados Unidos, o vice-presidente J.D. Vance sinalizou abertura ao diálogo, mas com ressalvas. “Se os iranianos estiverem dispostos a negociar de boa fé”, disse, Washington estará “disposto a estender a mão”. No entanto, advertiu que qualquer tentativa de engano seria percebida, acrescentando que a equipe americana não reagiria de forma receptiva nesse caso.
Entre os principais pontos de divergência nas negociações estão o programa iraniano de enriquecimento de urânio, o desenvolvimento de mísseis balísticos e questões relacionadas ao Estreito de Ormuz. O governo iraniano, por sua vez, busca garantias de longo prazo para o fim das hostilidades com os Estados Unidos, o que permanece como um dos principais entraves para um eventual acordo.


