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Putin se reúne com três enviados dos EUA em negociações sobre a Ucrânia

Os estadunidenses Steve Witkoff e Jared Kushner foram acompanhados por Josh Gruenbaum, recentemente nomeado por Trump

Presidente da Rússia, Vladimir Putin (Foto: Vyacheslav Prokofyev/Sputnik via Reuters)

Reuters - O presidente da Rússia, Vladimir Putin, iniciou na quinta-feira (22) uma reunião com três enviados dos Estados Unidos para discutir um plano de encerramento da guerra na Ucrânia, informou o Kremlin.

Os estadunidenses Steve Witkoff e Jared Kushner foram acompanhados por Josh Gruenbaum, recentemente nomeado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, como assessor sênior de seu Conselho da Paz, órgão encarregado de atuar no fim de conflitos internacionais.

Putin recebeu os representantes dos EUA pouco antes da meia-noite em Moscou, após Trump afirmar que um acordo estava "razoavelmente próximo" e Witkoff declarar que as negociações haviam se reduzido a uma última questão pendente.

Minutos depois do início das conversas, a Rússia informou ter realizado uma patrulha com bombardeiros estratégicos, uma ação que costuma ser usada como demonstração de força e dissuasão.

O Ministério da Defesa russo afirmou que os bombardeiros Tu-22M3, parte da frota de longo alcance utilizada ao longo da guerra para lançar mísseis contra cidades ucranianas, alvos militares e infraestrutura energética, voaram por mais de cinco horas sobre o mar Báltico, escoltados por caças russos.

O Kremlin informou que Putin esteve acompanhado, como em encontros anteriores com representantes dos EUA, por seu assessor de política externa, Yuri Ushakov, e pelo enviado especial Kirill Dmitriev.

Um breve vídeo divulgado mostrou Putin cumprimentando os três estadunidenses com apertos de mão e convidando-os a se sentarem em torno de uma longa mesa oval.

Território e planos da OTAN entre os temas

Trump tem pressionado fortemente ao longo do último ano por um fim ao conflito, que se aproxima de quatro anos e é o mais letal da Europa desde a Segunda Guerra Mundial. Na quarta-feira, ele afirmou que Putin e o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskiy, seriam "estúpidos" se não chegassem a um acordo.

Witkoff não especificou qual é o principal impasse restante, mas todas as partes já destacaram anteriormente a questão territorial.

Em especial, Putin exige que a Ucrânia entregue os 20% do território que ainda controla na região oriental de Donetsk. Zelenskiy se recusa a ceder áreas que a Ucrânia conseguiu defender a alto custo ao longo de anos de guerra de desgaste.

A Rússia também exige que a Ucrânia renuncie à ambição de ingressar na OTAN e rejeita qualquer presença de tropas da aliança em solo ucraniano após um acordo de paz.

Witkoff e Kushner viajaram a partir de Davos, na Suíça, onde se reuniram nesta semana com autoridades ucranianas. Trump, por sua vez, encontrou-se com Zelenskiy na quinta-feira.

Após a reunião, Zelenskiy afirmou que os termos das garantias de segurança para a Ucrânia foram finalizados, mas que a questão territorial segue sem solução.

A Ucrânia enfrenta o inverno mais rigoroso da guerra, enquanto a Rússia intensifica ataques com mísseis e drones contra a infraestrutura energética do país. Com temperaturas muito abaixo de zero, centenas de milhares de pessoas em Kiev e em outras cidades têm sofrido longos cortes de energia e ficado sem aquecimento.

Apontando o que chamou de sinal positivo, Zelenskiy disse que negociadores da Rússia, da Ucrânia e dos Estados Unidos realizarão, pela primeira vez, reuniões trilaterais em Abu Dhabi na sexta-feira e no sábado.

Ele acrescentou que um acordo sobre a recuperação econômica pós-guerra com a Rússia está quase concluído, um elemento central das propostas apoiadas pela Ucrânia para contrapor um plano de paz anterior dos EUA visto como amplamente favorável a Moscou.

Questionado sobre qual mensagem teria para Putin, Trump respondeu: "A guerra tem que acabar."

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