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Rubio evidencia subordinação dos Estados Unidos a Israel

Secretário de Estado admite que ataque israelense influenciou bombardeios contra o Irã e diz esperar que povo iraniano derrube o governo

Marco Rubio (Foto: Reuters)

247 – O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou que a decisão de Washington de atacar o Irã foi influenciada por planos previamente conhecidos de Israel para realizar uma ofensiva contra Teerã. As declarações foram feitas na segunda-feira e divulgadas pela rede Al Jazeera, que relatou ainda a confirmação de seis militares norte-americanos mortos no conflito, segundo informações do próprio Departamento de Defesa.

De acordo com a Al Jazeera, Rubio declarou que o governo dos Estados Unidos sabia que Israel atacaria o Irã e que Teerã retaliaria contra interesses norte-americanos na região. Diante disso, as forças dos Estados Unidos teriam optado por agir de forma preventiva.

Ataque preventivo e coordenação com Israel

Após uma reunião com líderes do Congresso, Rubio explicou a lógica da operação militar. “Sabíamos que haveria uma ação israelense”, afirmou. Segundo ele, a avaliação da Casa Branca era de que o Irã reagiria imediatamente contra forças norte-americanas estacionadas no Oriente Médio.

O secretário detalhou o raciocínio estratégico apresentado pelo governo dos Estados Unidos. “Sabíamos que isso precipitaria um ataque contra forças americanas, e sabíamos que, se não os atacássemos preventivamente antes que lançassem esses ataques, sofreríamos mais baixas”, declarou.

A fala sugere que a ofensiva norte-americana foi diretamente condicionada pela iniciativa israelense, reforçando a percepção de alinhamento automático entre Washington e Tel Aviv no conflito. Israel é um dos principais aliados militares dos Estados Unidos e recebeu, desde 2023, ao menos US$ 21 bilhões em ajuda militar.

Rubio insistiu na tese de ameaça iminente. “Havia absolutamente uma ameaça iminente”, disse. E completou: “E a ameaça iminente era que sabíamos que, se o Irã fosse atacado – e acreditávamos que seria atacado – eles viriam imediatamente atrás de nós.”

Escalada militar e mortes confirmadas

As declarações do secretário ocorreram minutos antes de o Exército dos Estados Unidos confirmar que o número de militares mortos no conflito subiu para seis. Dois corpos foram recuperados de uma instalação regional atingida por ataques iranianos.

A ofensiva dos Estados Unidos e de Israel matou o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, além de altos funcionários do governo e centenas de civis, segundo informações divulgadas no contexto da cobertura internacional do conflito.

Em resposta, Teerã lançou drones e mísseis contra alvos na região, incluindo bases e ativos norte-americanos no Golfo. A retaliação ampliou o alcance da guerra e aumentou o risco de um conflito regional de grandes proporções.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou no domingo que os ataques ao Irã ocorrem com a ajuda de seu “amigo”, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que é o atual presidente dos Estados Unidos. Em mensagem em vídeo, Netanyahu declarou: “Esta coalizão de forças nos permite fazer o que eu anseio fazer há 40 anos.”

A fala do premiê israelense reforça que o confronto com o Irã é um objetivo antigo de seu governo e indica que a atual conjuntura internacional criou as condições políticas e militares para sua concretização.

Negociações frustradas e justificativa nuclear

O conflito começou menos de 48 horas após uma rodada de negociações entre autoridades norte-americanas e iranianas sobre o programa nuclear de Teerã. O timing da ofensiva levantou questionamentos sobre a disposição real das partes em manter o diálogo diplomático.

Rubio afirmou que o ataque era necessário porque o Irã estaria acumulando mísseis e drones que poderiam ser utilizados para proteger seu programa nuclear e viabilizar a obtenção de uma bomba atômica. Segundo ele, o objetivo da guerra é destruir os programas iranianos de mísseis e drones.

Ao mesmo tempo, o secretário deixou claro que Washington veria com bons olhos uma mudança de regime em Teerã. “Não ficaríamos de coração partido, e esperamos que o povo iraniano possa derrubar este governo e estabelecer um novo futuro para aquele país. Adoraríamos que isso fosse possível”, declarou.

A afirmação explicita que, além da dimensão militar, o conflito carrega uma aposta política na instabilidade interna do Irã, ampliando o alcance estratégico da ofensiva.

Alerta a cidadãos e risco regional

Em meio à escalada, o governo dos Estados Unidos emitiu um alerta para que cidadãos norte-americanos deixem imediatamente mais de uma dezena de países no Oriente Médio. Entre os locais citados estão nações do Conselho de Cooperação do Golfo, Líbano, Síria, Egito, Israel e os territórios palestinos ocupados.

A autoridade norte-americana Mora Namdar afirmou nas redes sociais que o Departamento de Estado “insta os americanos a PARTIREM AGORA dos países abaixo usando transporte comercial disponível, devido a sérios riscos de segurança”.

O aviso reflete o temor de ampliação do conflito e de novos ataques retaliatórios. A combinação de ofensivas coordenadas entre Estados Unidos e Israel, resposta iraniana com drones e mísseis e declarações que sinalizam abertura a uma mudança de regime em Teerã coloca a região diante de um cenário de elevada instabilidade.

As declarações de Marco Rubio, ao reconhecer que a ação israelense foi determinante para o momento do ataque norte-americano, reforçam a centralidade de Israel na dinâmica que levou à guerra. Ao mesmo tempo, a confirmação de baixas militares e a retirada recomendada de civis evidenciam que o conflito já produz impactos concretos e amplia o risco de um confronto prolongado no Oriente Médio.

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