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Rússia critica ataque dos EUA e Israel a instalação nuclear no Irã

Moscou aponta violação do direito internacional e risco ambiental após agressão em Natanz

Edifícios danificados na instalação nuclear de Natanz, perto de Natanz, Irã, 2 de março (Foto: Reuters / via Vantor)

247 - A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, condenou neste sábado (21) a agressão conjunta dos Estados Unidos e de Israel contra a usina de enriquecimento de urânio de Natanz, no Irã. Zakharova criticou a ação e mencionou o descumprimento de resoluções do Conselho de Segurança da ONU e da Conferência Geral da Agência Internacional de Energia Atômica, segundo a RT Brasil. "Isso constitui uma violação flagrante do direito internacional, das Cartas das Nações Unidas e da IAEA", declarou.

A porta-voz questionou ainda a justificativa para a ofensiva, lembrando que, em junho de 2025, Washington e Tel Aviv haviam anunciado a destruição completa do programa nuclear iraniano após ataques anteriores. A diplomata criticou os bombardeios contra instalações militares, civis e nucleares iranianas, afirmando que as ações desconsideram impactos humanitários e ambientais. "Ignoram as vítimas civis e as possíveis consequências ambientais", disse.

Zakharova também defendeu uma resposta imediata da comunidade internacional. "A comunidade internacional [...] tem a obrigação de apresentar imediatamente uma avaliação objetiva e firme dessas ações irresponsáveis", afirmou, ao alertar para o risco de um desastre de grandes proporções no Oriente Médio.

Contexto das agressões de EUA e Israel

O ataque conjunto dos Estados Unidos e de Israel ao Irã começou em 28 de fevereiro, com explosões registradas em diferentes regiões de Teerã. O presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou a participação do país na operação, declarando que "bombas cairão por toda parte". Durante a ofensiva, o líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, foi assassinado, assim como outros integrantes do alto escalão do governo. Em resposta, o Irã lançou múltiplas ondas de mísseis balísticos contra Israel e bases militares estadunidenses na região.

De acordo com informações divulgadas, o número de mortos no Irã ultrapassa 1.400. Autoridades iranianas também relataram mais de 40 ondas de ataques contra alvos ligados aos responsáveis pela ofensiva. Ministros das Relações Exteriores da Rússia e da China classificaram a ação como "inaceitável", mesmo com negociações em curso entre Estados Unidos e Irã. Em 8 de março, Mojtaba Khamenei foi anunciado como novo líder supremo do país e prometeu retaliar cada morte causada no conflito.

As Forças Armadas dos EUA informaram que mais de 5 mil alvos foram atingidos nos primeiros 10 dias da operação, incluindo mais de 50 embarcações iranianas danificadas ou destruídas.

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