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Sacerdote muçulmano abertamente gay é assassinado a tiros na África do Sul

Imã foi alvo de uma emboscada na cidade de Gqeberha; autoridades ainda investigam o motivo do crime

Imã Muhsin Hendricks, reconhecido como primeiro sacerdote muçulmano gay, foi assassinado na África do Sul (Foto: Reprodução )

247 - O imã Muhsin Hendricks, de 58 anos, conhecido por seu trabalho na defesa da inclusão LGBTQIAPN+ dentro do Islã, foi assassinado a tiros neste sábado (10) em Gqeberha, no sul da África do Sul. Segundo informações divulgadas pelo jornal O Globo, o crime ocorreu quando o carro em que Hendricks viajava foi alvo de uma emboscada.

De acordo com a nota oficial das autoridades, "dois suspeitos desconhecidos com rostos cobertos saíram do veículo e dispararam vários tiros contra o carro". Um vídeo registrando o momento do ataque foi divulgado nas redes sociais e validado pela polícia como autêntico. As imagens mostram que o motorista do imã tentou fugir, mas foi bloqueado por outro veículo, do qual desceu um homem encapuzado, armado, que disparou contra Hendricks.

"Depois disso, eles fugiram do local, e o motorista percebeu que Hendricks, que estava sentado na parte de trás do veículo, foi baleado e morto", detalhou um porta-voz da polícia. Ainda não há confirmação oficial sobre a motivação do crime, e as investigações seguem em andamento.

O vice-ministro da Justiça da África do Sul, Andries Nel, afirmou à mídia sul-africana que a polícia está "no encalço" dos assassinos e que seu departamento atuará em parceria com a Comissão de Direitos Humanos da África do Sul (SAHRC) para esclarecer o caso.

Hendricks era um defensor da inclusão de muçulmanos LGBTQIAPN+ e fundou, em 1996, o The Inner Circle, organização dedicada a apoiar muçulmanos queer na conciliação entre fé e sexualidade. Mais tarde, estabeleceu a mesquita Masjidul Ghurbaah, em Wynberg, perto da Cidade do Cabo, oferecendo um espaço seguro para muçulmanos queer e mulheres marginalizadas praticarem o Islã.

A possibilidade de que o assassinato tenha sido motivado por intolerância é levantada por grupos de direitos humanos. A Associação Internacional de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Trans e Intersexuais (ILGA) condenou o crime. "A família ILGA World está em profundo choque com a notícia do assassinato de Muhsin Hendricks e pede às autoridades que investiguem minuciosamente o que tememos ser um crime de ódio", declarou Julia Ehrt, diretora executiva da entidade.

Hendricks já havia mencionado ameaças que recebia, mas recusava proteção pessoal. "A necessidade de ser autêntico é maior do que o medo de morrer", teria dito em entrevistas anteriores.

A África do Sul é o único país do continente africano a legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo e a garantir proteção constitucional contra a discriminação baseada em orientação sexual. No entanto, ataques a pessoas LGBTQIAPN+ ainda são frequentes. Atualmente, 32 países africanos criminalizam relações entre pessoas do mesmo sexo, o que representa 60% das nações do continente.

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