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Secretário de Defesa dos EUA diz que líder supremo do Irã está 'ferido e desfigurado'

Pentágono afirma que Mojtaba Khamenei sofreu ferimentos após ataques e levanta dúvidas sobre sua capacidade de governar

Escritório do Líder Supremo Iraniano/WANA (Foto: Escritório do Líder Supremo Iraniano/WANA)

247 - O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou que o novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, teria sido ferido e poderia ter ficado desfigurado após ataques realizados por Israel no início da atual guerra contra o país. A declaração foi feita durante uma coletiva em Washington, na qual o governo norte-americano também destacou a continuidade das operações militares contra alvos iranianos, relata a agência Reuters.

Segundo Hegseth, a ausência de imagens ou pronunciamentos em vídeo de Khamenei após os bombardeios reforçaria dúvidas sobre sua condição física e sua capacidade de governar. Desde o ataque israelense que matou vários membros da família do líder iraniano, incluindo seu pai e sua esposa, nenhuma gravação pública dele foi apresentada.

Durante o briefing, o chefe do Pentágono afirmou que o novo líder iraniano divulgou apenas um comunicado escrito na quinta-feira, no qual prometeu manter fechado o Estreito de Ormuz e pediu que países vizinhos encerrem a presença de bases militares dos Estados Unidos em seus territórios, sob risco de serem alvo do Irã.

Hegseth criticou o formato do pronunciamento e colocou em dúvida a situação do líder iraniano. “Sabemos que o novo chamado líder supremo está ferido e provavelmente desfigurado. Ele divulgou uma declaração ontem. Uma fraca, na verdade, mas não houve voz nem vídeo. Foi uma declaração escrita”, disse.

O secretário acrescentou: “O Irã tem muitas câmeras e muitos gravadores de voz. Por que uma declaração escrita? Acho que vocês sabem por quê. O pai dele está morto. Ele está com medo, está ferido, está fugindo e carece de legitimidade".

Autoridades iranianas, no entanto, apresentam outra versão. Um representante do governo do país afirmou à Reuters que Mojtaba Khamenei sofreu apenas ferimentos leves e continua exercendo suas funções, após a televisão estatal descrevê-lo como ferido em combate.

Ofensiva militar e escalada do conflito

Na mesma coletiva, Hegseth apareceu ao lado do general Dan Caine, presidente do Estado-Maior Conjunto dos Estados Unidos. Ambos ressaltaram que a ofensiva militar conduzida por Washington tem como principal objetivo neutralizar as capacidades iranianas de mísseis, drones e forças navais.

De acordo com o secretário de Defesa, a campanha militar continuará com intensidade. “Continuaremos pressionando, avançando e intensificando as operações. Sem trégua, sem misericórdia para o nosso inimigo”, declarou.

A expressão “sem trégua” — conhecida no direito internacional como “no quarter” — refere-se à recusa em poupar combatentes que se rendem. Segundo o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), esse tipo de prática é proibido pelo direito humanitário internacional, que veta ordens para não deixar sobreviventes ou ameaças desse tipo durante operações militares.

Hegseth também anunciou mudanças no sistema de justiça militar dos Estados Unidos. Ele substituiu os principais responsáveis jurídicos das Forças Armadas — os chamados judge advocates general — do Exército, da Marinha e da Força Aérea.

Ataques, drones e baixas militares

Nos últimos 14 dias, os Estados Unidos realizaram ataques contra mais de 6 mil alvos dentro do território iraniano. A ofensiva faz parte da campanha militar conduzida em conjunto com Israel desde 28 de fevereiro.

Estimativas citadas na reportagem indicam que cerca de 2 mil pessoas morreram no Irã desde o início dos bombardeios.

Mesmo diante da intensificação dos ataques, drones iranianos continuam sendo detectados em diversos países da região do Golfo. Relatos indicam voos desses equipamentos sobre Kuwait, Iraque, Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Omã.

No Iraque, quatro militares dos Estados Unidos morreram nesta sexta-feira após a queda de uma aeronave militar de reabastecimento no oeste do país. Autoridades norte-americanas informaram que o acidente envolveu outra aeronave, mas não foi provocado por fogo inimigo nem por ataque aliado.

Desde o início das operações militares conduzidas por Estados Unidos e Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro, ao menos 11 soldados norte-americanos morreram em episódios relacionados ao conflito.

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