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Senado dos EUA rejeita limitar poderes de Donald Trump em ofensiva contra o Irã

Votação de 53 a 47 mantém aberta possibilidade de novos ataques sem autorização prévia do Congresso

Senado dos EUA

247 - O Senado dos Estados Unidos rejeitou nesta quarta-feira (4) uma resolução que buscava limitar a capacidade do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de ampliar ações militares contra o Irã sem autorização prévia do Congresso. A proposta foi derrotada por 53 votos a 47, mantendo aberta a possibilidade de novas operações militares no contexto da escalada do conflito no Oriente Médio.

A medida discutida no Senado fazia parte da chamada War Powers Resolution, mecanismo que exigiria aprovação formal do Congresso antes de qualquer novo ataque militar contra o Irã. A votação obrigou os parlamentares a declarar publicamente sua posição sobre um confronto que pode ampliar riscos para militares norte-americanos e provocar impactos geopolíticos mais amplos na região.

Antes da votação, o líder da minoria democrata no Senado, Chuck Schumer, criticou a possibilidade de ampliação da guerra e alertou para o desgaste causado por intervenções prolongadas no Oriente Médio. Ele afirmou: "Hoje cada senador — cada um deles — escolherá um lado. Você está com o povo americano, que está exausto de guerras intermináveis no Oriente Médio, ou está com Donald Trump e Pete Hegseth enquanto eles nos conduzem desajeitadamente para outra guerra?"

Do lado republicano, o senador John Barrasso, integrante da liderança do partido, defendeu a posição contrária à resolução e criticou os democratas por promoverem a votação. Segundo ele, "os democratas preferem obstruir Donald Trump a obliterar o programa nuclear nacional do Irã."

O debate ocorre poucos dias após um ataque surpresa contra o Irã no sábado (1º), episódio que marcou o início de uma escalada militar que rapidamente se espalhou pelo Oriente Médio. Desde então, representantes do governo têm se reunido com parlamentares no Capitólio em busca de apoio político para a operação.

Durante coletiva realizada também na quarta-feira (4), o secretário de Defesa, Pete Hegseth, afirmou que o conflito pode se estender por até oito semanas, prazo maior do que o estimado anteriormente pelo governo. Ele também reconheceu que o Irã mantém capacidade de realizar ataques com mísseis, mesmo após tentativas dos Estados Unidos de controlar o espaço aéreo na região.

Na mesma ocasião, o chefe do Estado-Maior Conjunto, general Dan Caine, destacou que os militares norte-americanos permanecem expostos a riscos. "Nossos militares continuam em perigo, e precisamos ser claros ao reconhecer que o risco ainda é alto", declarou.

A escalada recente já provocou mortes entre forças norte-americanas. Um ataque com drone no Kuwait, ocorrido durante o fim de semana, deixou seis militares dos Estados Unidos mortos. Em outro episódio, uma unidade da Guarda Nacional do estado de Iowa foi atacada na Síria em dezembro, resultando em duas mortes.

Durante discurso no Senado, a senadora republicana Joni Ernst, veterana de duas décadas da Guarda Nacional de Iowa, mencionou essas perdas ao defender uma ação militar decisiva. Ela afirmou: "Mas agora é nossa oportunidade de colocar fim a décadas de caos. Quanto antes, melhor."

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não descartou o envio de tropas terrestres para o conflito, embora tenha expressado expectativa de que a campanha de bombardeios possa terminar em algumas semanas. Ao longo dos últimos dias, os objetivos declarados da operação variaram, passando de uma possível mudança de regime em Teerã para impedir o desenvolvimento nuclear iraniano e, posteriormente, enfraquecer a marinha e os sistemas de mísseis do país.

A resolução derrotada havia sido apresentada pelo senador democrata Tim Kaine, da Virgínia. Para ele, a votação obrigaria cada parlamentar a assumir responsabilidade política sobre o conflito. Segundo Kaine, "ninguém pode se esconder e dar ao presidente um passe livre ou permitir que contorne a Constituição. Todos precisam declarar se são a favor desta guerra ou contra ela."

O debate também se intensificou na Câmara dos Representantes, onde parlamentares discutiram o tema antes de uma votação prevista para quinta-feira (5). O presidente republicano do Comitê de Relações Exteriores da Câmara, Brian Mast, elogiou as ações do governo e afirmou que o presidente está utilizando sua autoridade constitucional para proteger o país diante de uma "ameaça iminente".

Já o deputado democrata Gregory Meeks, principal representante do partido no mesmo comitê, descreveu o peso político e humano de decisões que envolvem o envio de militares para conflitos armados.

Veteranos das guerras do Iraque e do Afeganistão também se manifestaram durante coletiva na quarta-feira (4). O deputado Jason Crow, democrata do Colorado, destacou os custos humanos dessas guerras. Ele afirmou: "Aprendi quando lutava no Iraque e no Afeganistão que, quando as elites em Washington batem os tambores da guerra, estufam o peito e falam sobre os custos do conflito, elas não estão falando delas mesmas ou de seus filhos. Estão falando de filhos da classe trabalhadora como nós."

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