Tarifas dos EUA expõem fragilidade da Europa, diz Paulo Nogueira Batista Jr.
Economista critica medidas unilaterais dos EUA e alerta para danos às relações transatlânticas
247 - A política comercial adotada pelos Estados Unidos tem provocado um desgaste crescente nas relações com a Europa e exposto a fragilidade da resposta do continente diante das pressões de Washington. A avaliação é do economista Paulo Nogueira Batista Jr., ex-vice-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento do BRICS, que aponta um cenário de instabilidade, quebra de acordos e enfraquecimento da posição europeia no comércio internacional.
Em entrevista à Sputnik Brasil, Batista Jr., que também foi diretor-executivo do Fundo Monetário Internacional (FMI), afirmou que os Estados Unidos “estão causando enormes danos” às relações transatlânticas ao suspender acordos firmados e ampliar tarifas de forma unilateral. Para ele, a decisão revelou a precariedade do vínculo comercial entre Washington e os países europeus.
Ruptura de acordos e tarifas crescentes
O governo estadunidense decidiu elevar tarifas sobre uma lista de países europeus, com aumentos imediatos de 10% e previsão de chegar a 25%. Na avaliação de Batista Jr., a medida representa a ruptura de um acordo firmado no ano anterior e que beneficiava inclusive os próprios Estados Unidos. “Foi um mau negócio para a Europa”, afirmou.
O especialista classificou a estratégia como “chantagem” e avaliou que o atual contexto demonstra o esvaziamento das normas internacionais. “O direito internacional não existe mais”, disse, ao comentar uma percepção que tem se fortalecido desde o início do novo mandato do presidente dos EUA, Donald Trump.
Guerra tarifária e perdas econômicas
Ao analisar os impactos econômicos da escalada tarifária, Batista Jr. citou uma declaração do presidente chinês Xi Jinping para resumir o cenário. “Ninguém ganha em uma guerra tarifária”, afirmou. Segundo ele, tanto os Estados Unidos quanto a União Europeia tendem a perder mercados e capacidade produtiva com a intensificação do conflito comercial.
Para o economista, o resultado final dependerá da reação europeia. “Se continuarem a responder timidamente, a Europa perderá ainda mais”, alertou, ao destacar o risco de aprofundamento das perdas econômicas e políticas do continente.
Europa fragilizada e perda de prestígio
Batista Jr. avaliou que o ano de 2025 escancarou a “precariedade” da postura europeia diante das ações unilaterais norte-americanas. Segundo ele, a Europa “não está se comportando como poderosa”, mas como “um conjunto submisso de países”, incapaz de impor limites claros às decisões de Washington.
“[A Europa] está perdendo prestígio. Está sendo repetidamente ameaçada, humilhada e atingida por tarifas. Eu nunca imaginei ver a Europa em um estado tão lamentável em relação aos Estados Unidos”, declarou.
Incerteza e imprevisibilidade
Sobre a possibilidade de ampliação da lista de países europeus afetados por novas tarifas, o economista ressaltou a imprevisibilidade do governo norte-americano. Segundo ele, a inclusão ou exclusão de países dependerá da postura adotada por cada governo em relação às ambições dos Estados Unidos sobre a Groenlândia. “Se um país se comportar de forma submissa, poderá não entrar na lista. Se desafiar, será punido”, afirmou Batista Jr.


