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Trump critica OTAN e volta a fazer ameaça contra a Groenlândia

Presidente dos EUA pressiona aliados por apoio contra o Irã e reacende disputa sobre território estratégico rico em recursos naturais

Donald Trump (Foto: Molly Riley/White House)

247 - A nova ofensiva verbal do atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra a OTAN e a Groenlândia elevou a tensão diplomática com aliados europeus e trouxe de volta ao debate a disputa por um território considerado estratégico. O posicionamento ocorre em meio à guerra envolvendo EUA, Israel e Irã, ampliando o desgaste com países da aliança militar.

Segundo reportagem do The Wall Street Journal publicada nesta quarta-feira (8), Trump avalia medidas para pressionar integrantes da OTAN que não apoiaram a ofensiva contra o Irã, aprofundando divergências dentro do bloco que reúne mais de 30 países, incluindo EUA e nações europeias.

Em publicação na rede Truth Social, o atual presidente estadunidense criticou diretamente a postura da aliança militar. “A Otan não estava lá quando precisávamos dela, e não estará lá se precisarmos novamente. Lembre-se da Groenlândia, aquele grande pedaço de gelo mal administrado”, escreveu Trump.

Groenlândia

Vista de casas em Nuuk, na Groenlândia
Vista de casas em Nuuk, na Groenlândia. Foto: Leonhard Foeger/Reuters

A menção à Groenlândia reforça uma posição recorrente do presidente norte-americano, que já manifestou interesse em assumir o controle da ilha. A região pertence ao Reino da Dinamarca, membro da OTAN, e tem despertado atenção internacional por suas reservas de recursos naturais e localização estratégica no Ártico.

O território abriga depósitos relevantes de hidrocarbonetos, além de minerais como ouro e urânio, que ampliam seu valor econômico e geopolítico. Ao mesmo tempo, políticas locais e comunidades indígenas resistem à exploração intensiva, citando riscos ambientais associados à extração de petróleo e gás.

Integrada formalmente à Dinamarca desde 1953, a Groenlândia possui autonomia administrativa, mas segue vinculada à Constituição dinamarquesa. O debate sobre independência permanece ativo na ilha, com possibilidade de consulta popular em caso de proposta formal. Analistas apontam baixa probabilidade de aprovação de uma eventual associação aos Estados Unidos.

A ideia de aquisição do território não é inédita na política norte-americana. Após a Segunda Guerra Mundial, o então presidente Harry Truman tentou comprar a Groenlândia por US$ 100 milhões em ouro. A proposta não avançou, mas os Estados Unidos mantiveram presença estratégica ao instalar uma base militar na região com autorização da Dinamarca.

As recentes declarações de Trump ampliam o desconforto entre aliados europeus, que acompanham com preocupação a combinação de pressões políticas, tensões militares e disputas por territórios estratégicos no cenário internacional.

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