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Tucker Carlson afirma que Trump está sendo chantageado por Benjamin Netanyahu

Comentarista americano intensifica ataques à política de guerra de Israel e sugere que Trump sofre pressão para rejeitar propostas de paz com o Irã

Tucker Carlson (Foto: Reprodução Youtube)

247 –  O comentarista Tucker Carlson vem elevando o tom de suas críticas à relação entre Israel, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em uma sequência de textos publicados em sua newsletter, o comentarista sustenta que Washington tem agido sob forte influência israelense e passou a sugerir de forma cada vez mais explícita que Trump estaria sendo pressionado, ou mesmo chantageado politicamente, a abandonar caminhos de paz no Oriente Médio. A fonte original é a newsletter publicada no site de Tucker Carlson.

O conjunto de títulos e chamadas revela uma linha editorial contínua, centrada na denúncia do que Carlson descreve como submissão dos Estados Unidos à agenda de guerra defendida por Netanyahu. Nesse contexto, a formulação “Israel está chantageando o presidente Trump?” aparece como ponto culminante de uma série de publicações em que o comentarista associa Israel ao bloqueio de iniciativas diplomáticas, ao enfraquecimento de cessar-fogos e à ampliação do confronto com o Irã.

Na edição de quinta-feira, 9 de abril, Carlson foi direto ao ponto ao publicar o título “Netanyahu diz ‘que se dane o cessar-fogo de Trump’. Israel quer mais guerra”, acompanhado da frase “Israel é um obstáculo à paz? Você não diz.” Em português, a mensagem é inequívoca: na avaliação do comentarista, Netanyahu teria reagido contra o cessar-fogo associado a Trump porque Israel desejaria a continuidade da guerra. A chamada reforça a ideia de que o governo israelense atua como obstáculo objetivo a qualquer solução pacífica.

No dia anterior, quarta-feira, 8 de abril, a newsletter trouxe outro texto no mesmo sentido: “Trump conseguiu um cessar-fogo. Para onde a América vai agora?”, com a frase “Não precisamos continuar lutando essas guerras. Existe uma saída.” Carlson defende, assim, que os Estados Unidos não precisam permanecer presos a conflitos permanentes no Oriente Médio e insiste que há uma alternativa política à lógica bélica.

A crítica se torna ainda mais incisiva na publicação de terça-feira, 7 de abril, intitulada “Após lobby de Netanyahu, Trump rejeita proposta de paz do Irã”, acompanhada da frase “O governo dos EUA se curva a Israel. Como sempre.” Nesse trecho, Carlson sugere que decisões estratégicas de Washington estariam sendo influenciadas diretamente por Netanyahu, o que reforça sua tese de pressão — ou chantagem — sobre o presidente norte-americano.

Essa linha de argumentação é sustentada por outras publicações recentes. Na segunda-feira, 6 de abril, Carlson destacou um apelo do papa sob o título “Escolham a paz: papa implora aos líderes mundiais que parem de matar pessoas”, acrescentando que se trata de “uma mensagem que a máquina de guerra de Washington precisa desesperadamente ouvir”. Já na sexta-feira, 3 de abril, criticou uma ação militar dos Estados Unidos com o título “EUA destroem a maior ponte do Irã”, seguido da observação “Imagine se o Irã fizesse o mesmo com a Ponte do Brooklyn.”

Em 2 de abril, a newsletter publicou “Presidente do Irã divulga carta ao povo americano”, com a frase “O povo iraniano não nutre inimizade contra outras nações, incluindo o povo dos Estados Unidos.” Ao destacar esse trecho, Carlson buscou reforçar a ideia de que ainda há espaço para soluções diplomáticas, em contraste com a escalada militar defendida por setores mais agressivos.

A abordagem também inclui impactos econômicos da guerra. Em 30 de março, Carlson escreveu “Os preços do combustível de aviação quase dobraram durante a guerra com o Irã”, alertando: “Prepare-se para passagens aéreas ainda mais caras.” O argumento sugere que os efeitos do conflito já atingem diretamente a população.

Em tom crítico e irônico, o comentarista também abordou justificativas religiosas para a guerra. Em 27 de março, publicou “Trump tem uma obrigação espiritual de bombardear o Irã, diz seu pastor”, seguido da provocação: “Jesus, o ‘príncipe da paz’, queria essa guerra? Sério?” Já em 26 de março, questionou a presença militar americana em áreas civis com o título “Relatório: EUA posicionam tropas em hotéis no Oriente Médio”, acrescentando: “Então os civis ao redor são… escudos humanos?”

Mesmo em temas paralelos, a desconfiança em relação às versões oficiais se mantém. Em 25 de março, Carlson publicou “Campo de drogas bombardeado no Equador era na verdade uma fazenda de laticínios?”, contrapondo as descrições “complexo de abastecimento narcoterrorista” e “fazenda de gado e leite”.

A sequência de textos constrói uma narrativa consistente: Carlson argumenta que iniciativas de paz estariam sendo sistematicamente sabotadas e que Trump, embora em alguns momentos associado a tentativas de cessar-fogo, acabaria recuando diante de pressões externas — especialmente de Netanyahu. A pergunta sobre chantagem, portanto, surge como síntese de um posicionamento crítico mais amplo em relação à política externa dos Estados Unidos.

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