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Veja mais detalhes do Estreito de Ormuz, que tem um papel central nos conflitos do Oriente Médio

A passagem é considerada vital para países da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep)

Mapa mostra Estreito de Ormuz, Irã e oleoduto 22/01/2025 REUTERS/Dado Ruvic/Imagem ilustrativa (Foto: REUTERS/Dado Ruvic/Imagem ilustrativa)

247 - O governo iraniano anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz, principal corredor marítimo para o escoamento de petróleo do Oriente Médio, em meio à escalada militar iniciada no último sábado (28) após ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o território iraniano. As informações foram publicadas nesta segunda-feira (2) pelo Portal G1, que destacou o impacto imediato da medida nos mercados internacionais. 

O estreito é responsável pelo transporte de cerca de 20% de todo o petróleo vendido no mundo, o que torna a decisão estratégica e potencialmente disruptiva para a economia global, apontou a Reuters. A tensão aumentou após novas ofensivas registradas nesta segunda-feira (2), ampliando o risco geopolítico na região.

Localizado entre o Irã e Omã, o Estreito de Ormuz conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Mar Arábico. A passagem é considerada vital para países da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), como Arábia Saudita, Irã, Emirados Árabes Unidos, Iraque e Kuwait, que utilizam a rota para exportar a maior parte de sua produção, especialmente para a Ásia. Navios com destino à Europa e às Américas também transitam pelo corredor marítimo.

A reação do mercado foi imediata depois dos conflitos. O petróleo chegou a subir cerca de 13%, ultrapassando US$ 82 por barril, maior patamar desde janeiro de 2025. Por volta das 10h (horário de Brasília), o Brent avançava 8,30%, cotado a US$ 78,92, enquanto o WTI registrava alta de 7,74%, alcançando US$ 72,19.

Os ataques dos EUA e de Israel começaram no último sábado (28). O governo Trump acusa o Irã de querer o desenvolvimento de armas nucleares e diz que o país asiático ameaça a estabilidade global. 

Mais detalhes

O estreito conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã. O Golpe Pérsico é uma região formada por oito países - Irã, Iraque, Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos e Omã. O Golfo de Omã tem Paquistão e Irão ao Norte, Emirados Árabes a Oeste e Omã ao sul.

No Oriente Médio, os EUA têm aliados como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes, Jordânia, Kuwait, Egito e Síria. Já o Irã tem como aliados o Paquistão, Hezbollah (grupo do Líbano), e o Iêmen. 

Pelo menos 11 países, incluindo Irão, EUA e Israel, estão envolvidos nos conflitos que tiveram início no último sábado (28). 

Importância histórica 

Desde a Antiguidade, o Estreito de Ormuz desempenha papel estratégico ao conectar a Pérsia, a Mesopotâmia e a Índia ao Oceano Índico. Entre os séculos XVI e XVII, potências europeias disputaram o controle da área para assegurar rotas comerciais marítimas.

No século XX, com a descoberta de vastas reservas de petróleo no Golfo Pérsico, a importância do estreito se intensificou. Após a Segunda Guerra Mundial, consolidou-se como rota essencial para o abastecimento energético mundial.

Durante a guerra entre Irã e Iraque, entre 1980 e 1988, petroleiros foram alvo de ataques, o que levou os Estados Unidos a escoltar embarcações na região. Desde então, o Estreito de Ormuz tornou-se um dos principais focos de tensão geopolítica. Embora o Irã já tenha ameaçado fechar a passagem em resposta a sanções e conflitos com Estados Unidos e Israel, a navegação nunca foi interrompida por períodos prolongados.

Balanço de vítimas

Em meio à nova escalada, a ONG Hrana (Human Rights News Agency) registrou ao menos 742 mortes no Irã desde sábado (28). Do lado israelense, foram contabilizadas nove mortes. Os Estados Unidos confirmaram a morte de seis militares.

Com o anúncio do fechamento do Estreito de Ormuz e a alta expressiva do petróleo, a crise no Oriente Médio amplia seus efeitos sobre a economia global, reforçando a centralidade da região na dinâmica energética e na estabilidade dos mercados internacionais.

Guerra híbrida

A situação do Irã vem sendo monitorada de forma mais intensa pelos Estados Unidos há meses. Autoridades iranianas denunciaram que o governo norte-americano teria incentivado protestos contra o governo do país, nos quais manifestantes reivindicaram melhorias na condução da política econômica.

Segundo a TeleSUR, o contexto de pressão sobre Teerã também se enquadra no que analistas classificam como uma estratégia de “guerra híbrida”. Organizações sediadas em Washington, como o Centro Abdorrahman Boroumand para os Direitos Humanos no Irã e o grupo Ativistas de Direitos Humanos no Irã, costumam ser citadas como fontes primárias por veículos internacionais como The Washington Post, BBC e ABC News.

A reportagem da TeleSUR afirma ainda que essas entidades recebem financiamento da Fundação Nacional para a Democracia (NED, na sigla em inglês), criada em 1983 sob supervisão do então diretor da CIA, William Casey.

O canal também aponta que a disputa em torno do Irã extrapola a atuação dos Estados Unidos, mencionando a entrada do Mossad, serviço de inteligência de Israel, em ações associadas ao governo Trump, o que ampliaria o quadro de pressão externa sobre Teerã em meio ao agravamento das tensões regionais.

Petróleo e geopolítica

O petróleo permanece no centro das disputas que envolvem o Irã. Segundo dados da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), o país ocupou, em 2024, a sexta posição entre os maiores produtores de petróleo bruto do mundo, com média diária de 3,2 milhões de barris. 

As informações foram publicadas pelo jornal Valor Econômico em 5 de agosto de 2025. O Brasil aparece em quinto lugar, com produção de 3,3 milhões de barris por dia. Os Estados Unidos lideram o ranking, com 13,2 milhões, seguidos por Arábia Saudita (8,9 milhões), China (4,2 milhões) e Iraque (3,8 milhões).

No que diz respeito às reservas comprovadas, levantamento do World Atlas 2024 coloca o Irã na terceira posição global, com 208,60 bilhões de barris. A Arábia Saudita figura em segundo lugar, com 267,19 bilhões, enquanto a Venezuela lidera a lista, com 303,22 bilhões de barris. 

Em seguida aparecem Canadá (163,63 bilhões), Iraque (145,02 bilhões), Emirados Árabes Unidos (113 bilhões), Kuwait (101,50 bilhões), Rússia (80 bilhões), Estados Unidos (55,25 bilhões) e Líbia (48,36 bilhões).

Estreito de Ormuz
Estreito de Ormuz. Foto: Reprodução/EBC

 

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Estreito de Ormuz apontado na sete vermelha. Foto: Reprodução (com auxílio do GPT)

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