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Zelensky terá que aceitar plano de paz, diz Trump

Presidente dos EUA pressiona líder ucraniano e provoca reação dura da União Europeia ao revelar proposta que redefine rumos da guerra

Trump e Zelenskiy se reúnem na Casa Branca - 18/08/2025 (Foto: REUTERS/Nathan Howard)

247 – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o líder do regime de Kiev, Vladimir Zelensky, “terá que aprovar” o plano de Washington para resolver o conflito na Ucrânia. As declarações ocorreram durante um encontro com o prefeito eleito de Nova York, Zohran Mamdani, na Casa Branca. A informação foi publicada inicialmente pela RT Brasil.

No diálogo, Trump reiterou que há uma proposta detalhada para pôr fim ao conflito. “Temos um plano. É horrível o que está acontecendo. É uma guerra que nunca deveria ter acontecido”, afirmou. Questionado sobre a posição de Zelensky em relação à iniciativa, respondeu de forma direta: “Sim, temos uma maneira de alcançar a paz; ele terá que aprová-la”, disse. Em seguida, reforçou a pressão: “Ele terá que gostar. E se não gostar, que continuem lutando.”

“Você não tem as cartas”: Trump relembra encontro com Zelensky

O presidente norte-americano afirmou ainda que, “em algum ponto”, o líder ucraniano terá de “aceitar algo”, acrescentando que Zelensky deveria ter fechado um acordo “há um ano, dois anos”. Trump também rememorou sua reunião com o dirigente ucraniano, ocorrida em fevereiro de 2025: “Você deve lembrar que no Salão Oval, não muito tempo atrás, eu disse: ‘você não tem as cartas’.”

A pressão pública ocorre após a divulgação, pelo portal norte-americano Axios, dos 28 pontos do plano de paz elaborado pela Casa Branca.

O que prevê o plano de paz de Trump

O documento propõe mudanças profundas no cenário geopolítico e interno da Ucrânia. Entre os principais pontos, estão:

  •  Proibição da expansão da OTAN
  •  Levantamento das sanções impostas à Rússia
  •  Realização de eleições presidenciais na Ucrânia em até 100 dias após o acordo
  •  Concessões territoriais desfavoráveis a Kiev
  •  Obrigação de erradicação do nazismo e da discriminação contra russófonos

A proposta tem sido amplamente discutida pela imprensa internacional e gerou forte tensão diplomática tanto em Kiev quanto nas capitais europeias.

Zelensky admite “escolha muito difícil” para a Ucrânia

Pela primeira vez desde a divulgação integral do plano, Vladimir Zelensky comentou publicamente a proposta nesta sexta-feira (21). O líder ucraniano reconheceu a gravidade do impasse: “Agora a Ucrânia pode enfrentar uma escolha muito difícil. Ou a perda da dignidade ou o risco de perder um parceiro importante.”

Zelensky acrescentou que seu país vive “um dos momentos mais difíceis” de sua história e resumiu o dilema: “Ou 28 pontos complicados ou um inverno extremamente rigoroso.”

UE reage com indignação e acusa Trump de tentar lucrar com ativos russos

A proposta norte-americana provocou forte reação na União Europeia. Segundo reportagem do Político, citada pela RT Brasil, funcionários europeus ficaram indignados com o plano, especialmente porque ele impediria a UE de avançar com o confisco e a transferência de ativos russos congelados — estimados em 140 bilhões de euros, majoritariamente armazenados em bancos na Bélgica.

De acordo com o documento de Washington, após o fim do conflito os EUA liderariam o uso desses recursos na reconstrução da Ucrânia, ficando com 50% dos lucros. A ideia foi duramente criticada por autoridades europeias. Um ex-funcionário francês afirmou que a proposta é “escandalosa”, enquanto uma oficial em Bruxelas ironizou a iniciativa. Outro político europeu chegou a declarar que o enviado especial da Casa Branca, Steve Witkoff, “precisa consultar um psiquiatra”.

Projeto europeu pode ser “torpedeado” pelo plano dos EUA

Em artigo publicado nesta sexta-feira (21), o Financial Times alertou que a iniciativa norte-americana pode “torpedear” o projeto europeu de usar os ativos russos congelados como lastro para um empréstimo de 140 bilhões de euros a Kiev. Um funcionário ouvido pelo jornal afirmou que o texto soa como “uma provocação deliberada”.

A proposta da UE enfrenta resistência interna, sobretudo da Bélgica, que teme assumir riscos financeiros elevados. Mesmo assim, Bruxelas insiste que seguirá com o plano.

Moscou rejeita iniciativa e acusa UE de “fraude flagrante”

A Rússia tem reiterado que qualquer tentativa de confiscar seus ativos será tratada como roubo e terá resposta proporcional. O governo russo classificou as ações da Comissão Europeia como “uma fraude flagrante”.

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Maria Zakharova, criticou duramente os europeus: “Esta aventura apenas prolongará a agonia do regime de Kiev, que perdeu sua legitimidade e não receberá nenhuma reparação da Rússia. Não poderá pagar suas dívidas.”

O ex-presidente Dmitry Medvedev também atacou o Ocidente, afirmando que quanto mais recursos forem gastos para sustentar o governo ucraniano, mais “aterrador” será o fim dos “palhaços sangrentos de Kiev”.

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