"BNDES não é uma jabuticaba brasileira, é uma qualidade brasileira", diz André Esteves
Fundador do BTG Pactual diz que BNDES vive período de “disciplina, assertividade e funcionalidade” sob a gestão de Aloizio Mercadante
247 - O banqueiro André Esteves, fundador do BTG Pactual, fez uma defesa enfática do BNDES e afirmou que o banco de fomento deve ser visto como um ativo estratégico do Brasil. Durante o Fórum Esfera, no Guarujá, ele disse que a instituição representa uma vantagem institucional do país e elogiou a atual condução do banco sob a liderança de Aloizio Mercadante, relata o Brazil Stock Guide.
Ao comentar o papel do BNDES no financiamento de longo prazo, Esteves rejeitou a ideia de que o banco seja uma anomalia brasileira. “O BNDES não é uma jabuticaba brasileira. É o contrário, é uma qualidade brasileira”, afirmou o fundador do BTG Pactual, segundo o Brazil Stock Guide.
BNDES como instrumento de desenvolvimento
Para Esteves, o Brasil dispõe de uma ferramenta importante para viabilizar projetos estruturantes, desde que o banco de fomento seja utilizado com responsabilidade e boa governança. Ele avaliou que o BNDES vive um período marcado por “disciplina, assertividade e funcionalidade” sob a gestão de Mercadante.
O banqueiro comparou a atuação do BNDES à de instituições de fomento de outros países. Entre os exemplos citados, mencionou o DFC, dos Estados Unidos, órgão que, segundo ele, vem ampliando orçamento, escopo e responsabilidades. A comparação foi usada para sustentar a avaliação de que bancos públicos de desenvolvimento podem cumprir papel relevante em economias modernas. “A gente só não pode usar mal. É um instrumento espetacular e está sendo bem usado”, disse Esteves.
Elogio ao TCU Consenso
Além da defesa do BNDES, Esteves destacou o TCU Consenso, mecanismo criado para mediar disputas entre o setor público, empresas e órgãos de controle. Na avaliação do banqueiro, o modelo contribuiu para destravar investimentos relevantes em infraestrutura.
A fala reforça a percepção de que instrumentos institucionais de negociação e segurança jurídica podem reduzir entraves em projetos de grande porte. Para Esteves, a capacidade de solucionar conflitos de forma coordenada é parte importante do ambiente necessário para ampliar investimentos no país.
Economia brasileira preocupa menos, diz banqueiro
Esteves também afirmou que não está excessivamente preocupado com o quadro econômico atual do Brasil. Segundo ele, o país já enfrentou momentos muito mais graves, marcados por hiperinflação, crise bancária, desemprego elevado, dificuldade para rolar a dívida e baixa previsibilidade regulatória.
Na avaliação do fundador do BTG Pactual, o cenário atual é diferente. Ele citou reservas robustas, déficit em conta corrente administrável e instituições mais maduras como fatores que ajudam a sustentar a economia brasileira em bases mais sólidas.
O banqueiro indicou que os desafios econômicos existem, mas considerou que eles são administráveis quando comparados a crises históricas enfrentadas pelo país.
Alerta sobre risco institucional
O principal alerta de Esteves foi direcionado ao campo institucional. Ele afirmou enxergar uma disputa entre o “Brasil institucional” e o “Brasil não institucional”, apontando riscos que, em sua avaliação, não podem ser naturalizados.
Entre os exemplos mencionados, o banqueiro citou a informalidade no setor de combustíveis, falhas de controle no sistema financeiro e o caso Banco Master. Para ele, esses episódios revelam fragilidades que precisam ser enfrentadas para preservar a maturidade institucional do país.
“Essa guerra está aí”, afirmou Esteves. “A economia é moleza de resolver. Essa guerra do Brasil institucional com o Brasil não institucional, essa a gente não pode perder".



