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J&F está disposta a avaliar setor de petróleo venezuelano após cenário de estabilidade institucional

Grupo dos irmãos Batista monitora transição na Venezuela, mantém cautela por causa de sanções e nega ter ativos no país

Joesley Batista (Foto: Paulo Vitale)

247 – O grupo J&F, dos bilionários Joesley e Wesley Batista, está de olho em oportunidades no setor de petróleo da Venezuela, mas afirma que só avançará caso haja estabilidade institucional e certeza jurídica no país. A informação é do Valor, que relata movimentações discretas do grupo em meio à reconfiguração política venezuelana e ao novo contexto internacional sob o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Procurada pela reportagem, a J&F negou ter ativos na Venezuela e disse que acompanha os acontecimentos com atenção. Em email, a holding declarou: “Uma vez que o cenário de estabilidade institucional e certeza legal se estabelecer, estaremos prontos par avaliar investimentos”.

Segundo pessoas a par da situação ouvidas pelo jornal, os irmãos Batista estariam posicionados no setor por meio de uma participação no projeto Petrolera Roraima. As fontes afirmam ainda que a Fluxus, empresa de petróleo controlada pelos brasileiros, poderia entrar nesse ou em outros projetos, assim que o ambiente de negócios se torne mais claro.

Bastidores de um setor em disputa

A reportagem aponta que a nova fase do setor petrolífero venezuelano ganhou impulso após mudanças políticas no país, em um contexto diretamente influenciado pelos Estados Unidos. O texto destaca que o setor pode se beneficiar desse novo momento, mas continua marcado por incertezas, disputas e interesses estratégicos internacionais.

De acordo com a apuração, antes do sequestro do ex-presidente Nicolás Maduro por forças americanas, um representante comercial ligado aos Batista teria atuado para obter participação em um conglomerado de poços de petróleo anteriormente operado pela ConocoPhillips. Ainda segundo o relato, a expectativa seria de que o grupo consiga se movimentar com vantagem em um ambiente de transição, enquanto companhias maiores aguardam garantias mais sólidas no campo financeiro e legal.

Joesley Batista e a aproximação com Caracas

O Valor relata que, após a queda de Maduro, Joesley Batista se tornou um personagem relevante nos bastidores da transição. Na semana passada, ele teria viajado de Washington para Caracas para uma reunião com a presidente interina Delcy Rodríguez.

De acordo com outra pessoa ouvida pela reportagem, Joesley teria retornado aos Estados Unidos com uma avaliação positiva, dizendo a autoridades americanas que Rodríguez estaria aberta a investimentos estrangeiros, especialmente no setor de óleo e gás.

Cautela com a Venezuela e proteção do patrimônio nos EUA

Pessoas com acesso à estratégia atribuída ao grupo afirmam que os Batista têm agido com cautela em relação à Venezuela desde que os Estados Unidos impuseram sanções ao país. A razão, segundo o texto, seria o peso dos investimentos que a família mantém em território americano, incluindo a processadora de carne de aves Pilgrim’s Pride.

A reportagem também observa que Trump já declarou anteriormente que o governo venezuelano “roubou” ativos de empresas americanas como a ConocoPhillips durante a nacionalização do setor há quase 20 anos. Ao mesmo tempo, segundo o texto, o presidente dos Estados Unidos não teria demonstrado intenção de reverter o confisco, o que manteria o setor preso a um jogo político e econômico complexo.

Petrolera Roraima e a estrutura do projeto

Conforme a reportagem, em 2024 o ministério do petróleo venezuelano concedeu direitos de exploração por 25 anos no antigo projeto da ConocoPhillips, chamado Petrolera Roraima, à A&B Investments, comandada por Jorge Silva Cardona, descrito como parceiro de negócios dos Batista.

Após a concessão, a produção diária teria crescido para 32 mil barris entre junho e outubro, mas desabou desde então, de acordo com o texto, por causa do bloqueio das exportações venezuelanas determinado por Trump.

O projeto é descrito como uma referência de engenharia no início dos anos 2000. O texto afirma que refinarias conhecidas como “upgraders” convertiam o petróleo pesado venezuelano em cerca de 90 mil barris por dia de uma variedade sintética mais leve.

A reportagem afirma que a PDVSA tem 51% do empreendimento, enquanto a A&B detém 49%.

Relações políticas e negócios bilionários no passado

A matéria também ressalta que os Batista construíram laços com lideranças de diferentes campos políticos ao longo do tempo. Entre os exemplos citados, aparece o fato de a Pilgrim’s Pride ter feito a maior doação individual para o comitê inaugural da campanha de Trump em 2025.

O texto lembra ainda que, no ano passado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu ajuda de Joesley Batista para negociar com Trump a retirada de tarifas impostas ao Brasil, segundo a reportagem.

No caso venezuelano, o histórico da família no país incluiria um contrato de US$ 2,1 bilhões assinado pela JBS com o governo Maduro para fornecer carne bovina e de aves durante um período de escassez de alimentos e hiperinflação. À época, segundo o texto, o acordo teria sido articulado com apoio de Diosdado Cabello, atualmente ministro do interior venezuelano.

Além do petróleo, uma das pessoas com conhecimento do assunto afirmou ao jornal que os Batista também exploram oportunidades nos setores de minérios e de infraestrutura elétrica da Venezuela, sinalizando que o grupo observa um pacote mais amplo de ativos estratégicos em um país que tenta reorganizar sua economia em meio a uma transição turbulenta

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