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Latam prevê impacto de R$ 3,6 bi com alta do combustível no 2º trimestre

Companhia projeta gasto adicional superior a US$ 700 milhões

Latam prevê impacto de R$ 3,6 bi com alta do combustível no 2º trimestre (Foto: Aquiles Lins)

247 - A disparada do querosene de aviação passou a pressionar as projeções da Latam para 2026, mesmo após a companhia registrar o melhor resultado trimestral de sua história. O grupo estima que a alta do combustível poderá gerar um custo adicional superior a US$ 700 milhões apenas no segundo trimestre, equivalente a mais de R$ 3,6 bilhões pela premissa de câmbio de R$ 5,15 por dólar usada pela companhia, em meio à forte volatilidade nos preços internacionais.

As informações foram apresentadas em coletiva de imprensa da companhia, realizada nesta terça-feira (5), sobre os resultados do primeiro trimestre de 2026. Segundo Jerome Cadier, CEO da Latam Brasil, e Ricardo Bottas, CFO do grupo Latam Airlines, a empresa combina confiança no desempenho operacional com cautela diante do avanço dos custos.

Resultado recorde contrasta com cenário de custos elevados

A Latam encerrou o primeiro trimestre com Ebitda de US$ 1,3 bilhão, alta de quase 37% em relação ao mesmo período do ano anterior, e lucro líquido de US$ 576 milhões. A capacidade consolidada cresceu 10,4%, enquanto o grupo transportou quase 23 milhões de passageiros. Ao fim de março, a frota era de 375 aeronaves, após a incorporação de quatro aviões da família Airbus A320.

Bottas afirmou que o trimestre foi “inédito” e representou “o maior resultado da história da companhia para um resultado trimestral”. Segundo ele, o desempenho foi sustentado pela combinação de execução operacional, disciplina financeira e vantagens estruturais.

Alta do QAV pressiona projeções da Latam

A companhia revisou suas premissas para o ano após a forte alta do querosene de aviação. No fim de 2025, a Latam trabalhava com referência de US$ 90 por barril. Agora, considera US$ 170 no segundo e no terceiro trimestres, além de US$ 150 no quarto trimestre.

“Nosso consumo de combustível para o segundo trimestre, considerando não mais US$ 90, mas US$ 170, pode representar um custo adicional de combustível para o grupo Latam superior a US$ 700 milhões apenas em três meses”, disse Bottas.

No primeiro trimestre, o impacto estimado da alta do combustível foi de US$ 40 milhões, limitado por estoques, contratos e defasagens na formação de preços. A pressão, porém, deve ser mais intensa nos meses seguintes.

Com as novas premissas, a Latam passou a projetar Ebitda entre US$ 3,8 bilhões e US$ 4,2 bilhões em 2026. A companhia também prevê alavancagem inferior a 1,8 vez e liquidez superior a US$ 4,5 bilhões ao fim do ano.

Combustível no Brasil dobrou desde fevereiro, diz CEO

Cadier afirmou que, no Brasil, o custo do combustível praticamente dobrou em poucos meses. Segundo ele, a questão enfrentada pela companhia não é de caixa, mas de custo.

“Hoje, aqui no Brasil, a Latam Brasil está pagando o dobro para cada litro de combustível de aviação do que estava pagando em fevereiro deste ano”, disse o executivo.

O CEO também afirmou que a companhia não aderiu à proposta de parcelamento da Petrobras por entender que a alternativa aumentaria o custo financeiro. “O nosso problema é enfrentar essa crise de custo, não é uma crise de financiamento”, afirmou.

Malha de junho terá ajuste de quase 3%

A Latam informou que não há, neste momento, risco mapeado de desabastecimento nas bases domésticas e internacionais em que opera. Ainda assim, a empresa já realizou ajustes pontuais na malha. A operação prevista para junho está quase 3% menor do que o planejamento original.

“Se você olhar junho, o que a gente imaginava voar e o que a gente efetivamente vai voar, junho está quase 3% menor. Esse é o tamanho do ajuste de junho”, disse Cadier.

Segundo o executivo, eventuais mudanças para o terceiro e o quarto trimestres ainda serão avaliadas conforme a evolução do combustível, a resiliência da demanda e a capacidade de repasse dos custos às tarifas.

A empresa também deixou de divulgar uma meta de capacidade para o Brasil e para os demais mercados. O guidance foi concentrado em quatro indicadores principais: Ebitda, alavancagem, liquidez e custo unitário sem combustível.

Embraer E2 deve estrear em rotas domésticas no fim de 2026

A Latam informou ainda que os primeiros destinos operados com aeronaves Embraer E2 serão anunciados na segunda quinzena de junho. As vendas devem ser abertas no mesmo mês, e os voos estão previstos para começar no último trimestre de 2026.

Inicialmente, os jatos serão destinados ao mercado doméstico brasileiro. Cadier afirmou que as aeronaves poderão abrir destinos hoje não atendidos, reforçar hubs como Guarulhos e Brasília e ampliar frequências em rotas já existentes.

“Não muda radicalmente a estratégia de rede da Latam, mas complementa bastante bem a principal operação”, disse.

Receita premium e programa de fidelidade sustentam estratégia

As receitas premium também foram destacadas pela companhia. Segundo Bottas, elas já representam 27% da receita com passageiros. O Latam Pass chegou a 55 milhões de membros, dos quais 2,6 milhões integram categorias elite. Mais de 60% da receita de passageiros vem de integrantes do programa de fidelidade.

Investimentos em Wi-Fi, cabines e salas VIP seguem no radar

A Latam também citou investimentos em cabines, salas VIP e conectividade a bordo. A empresa afirmou que uma aeronave widebody já opera com Wi-Fi e que a instalação nos aviões internacionais será feita gradualmente nos próximos dois anos, durante paradas programadas de manutenção.

Latam vê resiliência, mas mantém cautela para o segundo semestre

Ao encerrar a coletiva, Cadier afirmou que a Latam vive um momento particular, ao combinar o melhor trimestre de sua história com um ambiente de forte pressão sobre o combustível. Segundo ele, a companhia está preparada para enfrentar o cenário, mas a crise deve afetar custos, crescimento e tarifas ao longo do ano.

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