"Master é o maior crime financeiro da história do País", diz Mercadante
Presidente do BNDES defende mudanças profundas na fiscalização do sistema financeiro brasileiro, especialmente no Banco Central e na CVM
247 - O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, afirmou que o caso Banco Master representa, em sua avaliação, “o maior crime financeiro da história do país” e defendeu mudanças profundas na fiscalização do sistema financeiro brasileiro, especialmente no Banco Central e na CVM, segundo o Brazil Stock Guide.
A declaração foi feita durante o Fórum Esfera, no Guarujá, em meio a um debate sobre mecanismos de controle, supervisão bancária e a expansão de estruturas financeiras consideradas pouco transparentes. Mercadante cobrou uma resposta institucional mais forte para evitar que episódios semelhantes voltem a gerar prejuízos ao mercado e à sociedade.
“O que aconteceu no Banco Master é o maior crime financeiro da história do País. Não é qualquer coisa”, disse o presidente do BNDES.
Segundo Mercadante, o episódio não pode ser tratado como um problema pontual ou isolado. Para ele, o caso evidencia fragilidades na regulação e na capacidade de acompanhamento de instituições financeiras que cresceram dentro do sistema sob autorizações concedidas em gestões anteriores do Banco Central.
O presidente do BNDES afirmou que o BC teve responsabilidade direta no processo, ao permitir a ampliação da presença do Banco Master no sistema financeiro. Ele reconheceu que a atual direção da autoridade monetária adotou medidas, mas ressaltou que os impactos já haviam sido produzidos.
Mercadante também alertou que a conta do caso acaba sendo distribuída dentro do próprio sistema financeiro. Ele citou efeitos sobre o Fundo Garantidor de Créditos, bancos públicos e institutos de previdência, além de destacar que grandes instituições acabam absorvendo parte dos prejuízos por meio dos mecanismos de funcionamento do setor.
A crítica do presidente do BNDES se estendeu ao avanço das fintechs. Na avaliação dele, parte dessas empresas cresceu em um ambiente de fiscalização insuficiente, abrindo espaço para operações pouco visíveis aos reguladores, ocultação de beneficiários finais e riscos associados à lavagem de dinheiro.
Para enfrentar esse cenário, Mercadante defendeu uma reestruturação do Banco Central e da Comissão de Valores Mobiliários. Ele afirmou que os órgãos precisam de carreiras mais valorizadas, melhor remuneração e maior capacidade técnica para acompanhar a sofisticação das operações financeiras. “Tem que empoderar o Banco Central e a CVM”, afirmou Mercadante.
Na avaliação do presidente do BNDES, a falta de fiscalização robusta mantém o país vulnerável a pirâmides financeiras, fundos avaliados de forma inadequada e estruturas que só se tornam visíveis quando os prejuízos já estão consolidados.
O tom da fala foi de cobrança ao conjunto das instituições. Mercadante afirmou que o sistema financeiro também deve participar da solução, já que acaba arcando com parte dos danos quando os mecanismos de supervisão falham.



