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Selic pode cair a 11% em 2026, avaliam gestores do Itaú e BTG Pactual

Projeções indicam cortes mais rápidos na taxa básica de juros, com inflação controlada e desaceleração econômica

Prédio do Banco Central em Brasília 11/06/2024 REUTERS/Adriano Machado

247 - Gestores de grandes casas de investimento passaram a defender que a taxa Selic pode encerrar 2026 abaixo do consenso atual do mercado, alcançando ao menos 11% ao ano. A avaliação contrasta com a mediana do boletim Focus, que ainda projeta juros em torno de 12% no fim do período.

As estimativas foram apresentadas nesta quarta-feira (25), durante evento promovido pelo BTG Pactual. Na ocasião, Bruno Serra, ex-diretor de Política Monetária do Banco Central (BC) e atual gestor do Itaú Asset Management, afirmou que a taxa básica pode cair mais do que o esperado. Segundo ele, a Selic deve terminar o ciclo em 11% ao ano, “no mínimo”.

Serra fundamentou sua projeção em uma sequência de indicadores. De acordo com o gestor, a inflação deve girar em torno de 3% até outubro e encerrar o ano em 3,5%, tendo como principal fator de risco a condução da política fiscal. O Produto Interno Bruto (PIB), por sua vez, estaria próximo do potencial estimado de 2%, impulsionado sobretudo pelo agronegócio e pela indústria extrativa mineral, com destaque para Vale e Petrobras.

Ao detalhar sua análise, Serra afirmou: “Excluindo agro e minérios, algo que o BC deu muita ênfase em seu último relatório de política monetária, o resto da economia com potencial inflacionário está em 1,5% e desacelerando. Mercado de trabalho desacelerando. Salários fortes, mas prevejo queda conforme a inflação se aproxima da meta. Mas o juro está em 15%”.

Na avaliação do gestor, esse conjunto de fatores deve levar o Banco Central a acelerar o ritmo de cortes. Ele explicou que o chamado juro neutro — taxa real de equilíbrio da economia, descontada a inflação — seria de 8,5% segundo o BC e de 9,5% conforme estimativas do mercado. “Eu dou mais 1,5 ponto percentual de lambuja para sugerir que a Selic termina o ano em 11%, para menos, e que no início de 2027 estaremos discutindo um patamar ainda mais baixo.”

Serra reconheceu que sua leitura está fora do consenso e projetou que o primeiro corte seja de 0,5 ponto percentual em maio, seguido de duas reduções de 0,75 ponto a partir de junho. “O risco é da Selic parar em 9% no final do ano, e não em 12%.”

A perspectiva de cortes mais intensos também foi compartilhada por Christiano Chadad, sócio e gestor do BTG Volt. Ele ressaltou que, historicamente, reduções de juros não costumam ocorrer durante períodos eleitorais. “Cortar durante o processo eleitoral não faz parte da história do Brasil”, afirmou. Chadad ponderou que as projeções dependem da manutenção da atual política fiscal e alertou que, caso haja ampliação de gastos públicos, o cenário pode se alterar. “O próximo governo, mesmo que seja Lula, terá muita dificuldade em manter esse nível de gasto. Vamos bater em um muro de dívida e talvez voltar a falar em dominância fiscal.”

Marco Freire, gestor da Kinea, também avaliou que o atual nível de 15% é excessivo. Para ele, mesmo uma Selic de 12% ainda seria elevada diante do contexto internacional. “Vou comparar com países emergentes ‘meia boca’, nada de muito maravilhoso. México está com inflação em 4% e o banco central discute juros em torno de 6,5%. África do Sul está com inflação em 3% e juros rodando 6%. Quando falamos de Selic em 12%, é o dobro do juro”, disse. Segundo Freire, embora o Brasil tenha dívida mais elevada, o país conta com instituições sólidas. “12% ainda me parece muito fora do lugar.”

Apesar das avaliações dos gestores, o Banco Central mantém postura cautelosa. Em evento realizado na terça-feira (11), o presidente da instituição, Gabriel Galípolo, destacou que o momento exige “calibragem”. Ele afirmou que o BC continuará dependente dos dados e não pretende antecipar sinalizações além do que já foi comunicado pelo Comitê de Política Monetária (Copom). “Não há nenhuma mudança de função de reação”, declarou. “Sobre o resto do ano, qualquer sinalização corre o risco de ser frustrada e causar mais dano do que ajudar”, acrescentou, citando o cenário internacional incerto, as mudanças na política econômica dos Estados Unidos e o contexto eleitoral brasileiro.

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