Viridis negocia fornecimento de terras-raras do Brasil a EUA e Europa
Empresa australiana busca contratos com compradores ocidentais e discute preço mínimo para projeto em Minas Gerais
247 - A mineradora australiana Viridis Mining and Minerals está em negociações para vender terras-raras extraídas no Brasil a compradores dos Estados Unidos e da Europa, em um movimento alinhado aos esforços de países ocidentais para reduzir a dependência da China no fornecimento de minerais estratégicos. Esses elementos são amplamente utilizados na fabricação de veículos elétricos, turbinas eólicas e outras tecnologias ligadas à transição energética.
As tratativas envolvem potenciais clientes de diferentes segmentos da cadeia produtiva, como refinarias de terras-raras e fabricantes de ímãs permanentes. A estratégia da empresa é firmar contratos com vários compradores, buscando maior segurança comercial para a produção futura do projeto Colossus, localizado em Minas Gerais.
O líder da Viridis no Brasil, Klaus Petersen, afirmou que as negociações incluem a definição de um preço mínimo para a produção do projeto, estimado em US$ 360 milhões. Segundo ele, esse mecanismo funcionaria como proteção contra a concorrência de preços mais baixos praticados pela China, que responde por cerca de 90% da produção mundial de ímãs permanentes de terras-raras.
A adoção de um piso de preços é considerada fundamental para projetos desenvolvidos fora do mercado chinês, especialmente em um cenário de forte pressão competitiva. Para empresas de menor porte ou em fase de desenvolvimento, garantias desse tipo também são vistas como decisivas para facilitar o acesso a financiamento e reduzir riscos para investidores.
As negociações comerciais da Viridis ocorrem em paralelo a um contexto político mais amplo. Europa e Brasil avançam em discussões para um acordo envolvendo matérias-primas estratégicas, com foco em investimentos conjuntos em lítio, níquel e terras-raras. A presidente da Comissão Europeia, Úrsula von der Leyen, destacou que esses materiais são essenciais para a independência estratégica em “um mundo onde os minerais tendem a se tornar um instrumento de coerção”.
O Brasil possui as maiores reservas conhecidas de terras-raras depois da China, mas sua produção comercial ainda é limitada. O país busca ampliar a exploração de seu potencial geológico, ao mesmo tempo em que mineradoras que desenvolvem projetos de minerais críticos defendem a criação de garantias financeiras que tornem os empreendimentos mais viáveis.
A Viridis planeja tomar a decisão final de investimento no segundo semestre deste ano. A expectativa da companhia é iniciar a produção em 2028, o que pode inserir o Brasil de forma mais relevante no mercado global de terras-raras voltado aos países ocidentais.


