“Bolsonaro e Maria Corina foram desprezados como lixo pelo Império americano”, diz Lindbergh
Deputado afirma que Trump abandonou o discurso sobre democracia e passou a mirar apenas “petróleo, ouro e energia”
247 – O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) afirmou que Jair Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro e a opositora venezuelana Maria Corina Machado foram “desprezados como lixo” pelo poder norte-americano, após serem usados como instrumentos políticos e depois descartados pela lógica de interesses econômicos do “Império”. A fala foi feita em vídeo publicado no YouTube, em que o parlamentar critica duramente a postura submissa da extrema direita brasileira em relação aos Estados Unidos.
No início da declaração, Lindbergh ataca o que chama de “síndrome de viralatismo” do bolsonarismo. “Essa nossa extrema direita bolsonarista, ela tem síndrome de viralatismo. Eles gostam de cultuar a bandeira norte-americana, mas não estão entendendo o que está acontecendo”, disse.
“Ela foi jogada na lata do lixo, foi cuspida”, diz sobre Maria Corina
Segundo Lindbergh, Maria Corina Machado teria sido uma das figuras mais simbólicas desse descarte, por ter defendido reiteradamente uma intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela e por manter, segundo ele, uma postura de bajulação a Donald Trump. “O fato é que tanto a Maria Corina Machado, aquela que era bajuladora a mor do Trump, que vivia defendendo uma intervenção militar norte-americana… Ela foi jogada na lata do lixo, foi cuspida”, afirmou.
Na avaliação do deputado, o que estaria por trás disso é a mudança — ou a explicitação — da agenda do governo norte-americano, que, segundo ele, não estaria orientada por valores democráticos, mas por interesses estratégicos. “O Trump não falou em nenhum momento da entrevista em democracia, não pediu para chamar eleições. Que é que ele falou? petróleo, ouro, energia”, destacou.
“Eduardo Bolsonaro foi cuspido” e Jair foi “jogado de lado”
O deputado também afirma que a mesma lógica se aplicou à família Bolsonaro. Ele diz que Eduardo Bolsonaro tentou articular medidas como sanções e tarifas e acabou ignorado. “O Eduardo Bolsonaro também foi cuspido, ficou discutindo tarifas, sanções contra ministros… foi cuspido”, disse. Em seguida, completou: “Jair Bolsonaro foi jogado de lado.”
Para Lindbergh, isso revela uma regra constante na política externa dos Estados Unidos, que não teria compromisso com aliados, mas apenas com seus próprios objetivos. “O império pensa apenas nos seus projetos, nos seus interesses econômicos. Eles não valem nada para aquela lógica”, afirmou.
Doutrina Monroe, “big stick” e o que ele chama de “corolário Trump”
No vídeo, Lindbergh relaciona a postura atual dos Estados Unidos a um histórico de intervenção na região, citando a Doutrina Monroe, formulada em 1823, e o Corolário Roosevelt, de 1904, associado à política do “big stick”. Ele afirma que o momento atual representaria uma escalada ainda mais agressiva.
“Vem uma nova atualização, o corolário Trump, que é ainda mais violento do que o corolário Roosevelt”, disse, ao defender que os Estados Unidos se comportam como “polícia da região” e mantêm a visão de que o hemisfério ocidental seria um espaço de domínio.
Alerta para a extrema direita brasileira e a defesa da soberania
Lindbergh afirma que setores bolsonaristas seguem estimulando ideias de intervenção estrangeira no Brasil, citando figuras como Nikolas Ferreira, Flávio Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro. “Estimulando uma intervenção militar norte-americana aqui no Brasil, vários vídeos dizendo: ‘Olha, é pertinho da Venezuela, vem aqui’”, declarou.
Para ele, esse movimento tende ao isolamento político. “Vocês estão isolados. vão ficar cada vez mais isolados, que nós vamos defender a bandeira da soberania nacional e vamos defender a paz na América do Sul”, disse.
“Cordão sanitário” contra o Brasil e disputa geopolítica com a China
O deputado avalia ainda que, no caso brasileiro, a estratégia norte-americana não seria a mesma aplicada à Venezuela, mas uma forma de contenção e pressão política. “O que eles querem aqui é um cordão sanitário, tipo negociações pragmáticas, impedir uma influência maior da China e aí sim tirar o papel de líder regional que o Brasil exerceu no último período”, afirmou.
Segundo ele, o objetivo seria enfraquecer o protagonismo do Brasil e enquadrá-lo como “quintal”. “Agora é tudo com eles, é como se nós fôssemos um quintal. Então isso é tudo muito grave que a gente tá vivenciando aqui”, completou.
“Eles são os otários… vão se isolar da sociedade brasileira”
Lindbergh encerra a fala com uma crítica direta à extrema direita, afirmando que esse campo político seria descartável aos olhos do poder norte-americano. “Essa extrema direita, eles são os otários, não estão entendendo, tão fora do jogo e vão se isolar da sociedade brasileira”, declarou.
Ao final, ele reforça a necessidade de defender a soberania e a paz regional. “Nós vamos continuar no nosso rumo, defendendo a democracia, a soberania nacional e defendendo a paz na América do Sul. Nunca houve uma agressão como essa, como houve nesse episódio da Venezuela”, concluiu.



