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Pedro Serrano defende Marco Aurélio Carvalho para o Ministério da Justiça e alerta para “época de combate”

Jurista diz que governo precisa de um ministro comprometido com a pauta progressista e pronto para o combate de 2026

Marco Aurélio de Carvalho (Foto: Joédson Alves/Agência Brasil)

247 – O jurista Pedro Serrano afirmou que o coordenador do grupo Prerrogativas, Marco Aurélio de Carvalho, é “o nome mais adequado” para substituir Ricardo Lewandowski no Ministério da Justiça. Em entrevista à TV 247, Serrano elogiou a capacidade técnica e política de Marco Aurélio e sustentou que o cargo exige, neste momento, alguém com postura de enfrentamento diante do que chamou de uma ofensiva permanente da extrema direita.

Logo no início, Serrano descreveu o perfil que considera indispensável para chefiar o Ministério da Justiça: qualidade técnica, compromisso progressista, defesa de direitos e habilidade política. E resumiu seu diagnóstico sobre o ambiente institucional de Brasília, que, segundo ele, impõe desgaste e pressões constantes:

“Aquela Brasília lá, rapaz, eu fico impressionado com aquilo. Aquilo é uma máquina de moer gente.”

Para Serrano, Marco Aurélio reúne as condições necessárias por já ter demonstrado capacidade de articulação em situações complexas, ao coordenar um grupo de advogados em cenário adverso e alcançar, segundo ele, resultados relevantes.

“O pau vai comer”: Serrano pede ministro de combate

Ao justificar por que não basta alguém genericamente comprometido com direitos e Constituição, Serrano elevou o tom e disse que o Ministério da Justiça, nos próximos meses, precisará atuar como um posto avançado de disputa política e institucional.

“Hoje precisa de gente assim porque no Ministério da Justiça porque o pau vai comer, gente. Não imaginem que vai ser fácil.”

O jurista argumentou que o governo enfrentará “ataques de todos os lados” e que o cargo exige alguém com posicionamento definido, capaz de sustentar o enfrentamento a pressões políticas e narrativas que, segundo ele, buscam desestabilizar o governo e o campo progressista.

“Nesse cargo precisa alguém de combate. Nós estamos numa época de combate. O Marco Aurélio é um homem de combate.”

Serrano ainda citou um episódio recente envolvendo o ministro Alexandre de Moraes, mencionado na entrevista como “ministro Alexandre”. Segundo ele, houve um ataque político sem que, até então, tenham sido apresentadas provas consistentes:

“Para mim, até agora eu não vi prova nenhuma, nada que me diga que tem alguma valência além do de informações, vamos dizer assim, de fontes sigilosas.”

Ele também criticou setores que, segundo sua avaliação, reproduziram narrativas alinhadas à extrema direita.

Compromisso político e equipe: “Não conheço ninguém com melhor condição de montar uma equipe”

Outro ponto central levantado por Serrano foi a necessidade de que o ministro e sua estrutura estejam alinhados ao campo político do governo. Na visão dele, não se trata apenas de perfil individual, mas de capacidade de montar uma equipe coesa.

“Eu não conheço ninguém no Brasil com melhor condição de montar uma equipe do que ele.”

E explicou por que considera essa coesão essencial:

“Por que que precisa ser do nosso campo? Porque tem uma guerra pela frente. Se a gente for com o exército vacilante, dá que nem na Venezuela.”

Serrano afirmou que o Ministério da Justiça é estratégico por ser responsável por formular legislação, articular relação com o Judiciário e dialogar com a Justiça Eleitoral — funções que, segundo ele, ganharam peso ainda maior no atual ciclo político.

“O papel primário do ministro da justiça é esse diálogo com o judiciário.”

Para ele, isso exige alguém que saiba negociar, mas que também tenha lado e firmeza política:

“Precisa ter alguém que não só tem a habilidade de levar esse diálogo, como tenha lado nessa disputa, que esteja do nosso lado.”

Divisão do Ministério: defesa de uma pasta exclusiva para Segurança Pública

Além de defender Marco Aurélio no comando da Justiça, Serrano voltou a sustentar uma proposta que, segundo ele, vem defendendo há anos: a criação de um Ministério da Segurança Pública, separado da Justiça. Ele argumenta que a segurança pública se tornou um tema tão absorvente que esvazia a capacidade do Ministério da Justiça de cumprir funções estruturais relacionadas à cidadania, defesa do consumidor e organização legislativa.

“A realidade é que hoje nós temos o ministro da justiça que só é de justiça para inglês ver. Ele passa 90% do tempo dele, talvez mais tratando do problema da segurança.”

Na avaliação de Serrano, esse desequilíbrio compromete outras atribuições fundamentais da pasta:

“Isso mata o Ministério da Justiça como Ministério da Cidadania, como ministério que pensa a estrutura legislativa do país.”

Segurança pública como tema decisivo da eleição

Serrano alertou ainda que a segurança pública pode se tornar o fator determinante para o resultado eleitoral futuro e disse que o governo federal não pode mais se omitir:

“Não dá para a União ficar mais se escondendo debaixo do travesseiro.”

Ele avaliou que a extrema direita cresce também por explorar problemas concretos e mencionou a violência como um tema real que precisa de políticas efetivas. Segundo Serrano, a solução não pode se basear em respostas simplistas e violentas.

“A extrema direita oferece tão simples quanto falsa a resposta que ela oferece com problema. Mata bandido que resolve problema. Não resolve.”

Para reforçar o argumento, ele lembrou que o Brasil já viveu ciclos de endurecimento policial e aumento da letalidade, sem que isso reduzisse a violência — ao contrário, teria fortalecido o crime.

“Desde essa época nós estamos matando bandido e a violência só aumentou, o crime só aumentou. Isso só serviu para fortalecer o crime.”

Serrano também apontou que o aumento de penas, isoladamente, não resolve o problema e citou o exemplo do feminicídio:

“O feminicídio, por exemplo, teve penas bem aumentadas e só aumentou.”

A proposta: política transversal e coordenação direta da Presidência

O jurista defendeu que a segurança pública só pode ser enfrentada por meio de uma política de governo transversal, envolvendo economia, urbanismo, políticas sociais e redução das desigualdades. Para ele, essa coordenação precisa estar diretamente ligada ao presidente.

“A solução do problema de segurança pública, certamente ele passa por uma como uma política interdisciplinar, uma política transversal no âmbito do governo.”

E completou:

“Quem vai ter que determinar? O presidente da República. Precisa de um ministério.”

Serrano associou desigualdade e violência e apontou que a concentração de renda é um motor do problema, ainda que não seja o único fator.

“A razão é simples. Ponto.”

Nomes para a Segurança Pública: Ricardo Cappelli, Benedito Mariano e Andrei Rodrigues

Ao ser questionado sobre nomes para um eventual Ministério da Segurança Pública, Serrano citou Ricardo Cappelli, a quem associou à linha política de Flávio Dino, elogiado por ele como ministro da Justiça. Depois, destacou com mais ênfase o nome de Benedito Mariano, mencionando sua experiência e resultados em gestão pública:

“O Benedito Mariano é um cara muito adequado.”

Serrano recordou que Mariano teve atuação relevante em Diadema, com queda nos índices de homicídio:

“Ele foi secretário de segurança em Diadema, reduziu o índice de homicídio na cidade.”

Ele também citou o nome de Andrei Rodrigues, o atual diretor da Polícia Federal, ressaltando sua familiaridade com o ambiente institucional e o tema da segurança:

“Ele também é outro sujeito que vem da Polícia Federal, conhece esse ambiente.”

Ao final, Serrano avaliou que a esquerda precisa “entrar de cabeça” no tema da segurança pública, por ser o debate que tende a dominar o próximo ciclo político.

Marco Aurélio como peça-chave no desenho do governo

A entrevista reforça que, na avaliação de Serrano, Marco Aurélio Carvalho poderia ocupar a Justiça tanto em um modelo com a pasta integrada quanto em um cenário de divisão entre Justiça e Segurança Pública. Ainda assim, ele indicou preferência por Marco Aurélio na Justiça, especialmente pelo papel de articulação institucional com o Judiciário — um aspecto que, segundo o jurista, se tornou decisivo no Brasil contemporâneo.

A defesa explícita do nome de Marco Aurélio também aparece acompanhada de uma ressalva: Serrano disse não estar falando por interesse pessoal e afirmou não ter tratado do assunto com o próprio advogado.

“Eu tô falando isso sem nenhuma questão pessoal. Não falei com o Marco a respeito disso.”

E concluiu, de forma direta, sobre sua convicção:

“Não teria motivo nenhum para ficar aqui falando em favor se eu realmente não acreditasse que é o nome mais adequado para ocupar a função.”

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