Alcolumbre sinaliza avanço da PEC da Segurança no Senado
Proposta é considerada estratégica pelo Planalto e pode abrir caminho para o Ministério da Segurança Pública
247 - A PEC da Segurança Pública voltou a entrar no radar do Senado após interlocutores de Davi Alcolumbre (União-AP), presidente da Casa, admitirem a possibilidade de o texto começar a ser discutido e até chegar ao plenário ainda este ano, em uma movimentação acompanhada de perto pelo Palácio do Planalto, que vê a proposta como estratégica e como etapa relevante para a criação do Ministério da Segurança Pública, relata Milena Teixeira, do Metrópoles.
A sinalização ocorre apesar da avaliação de integrantes do governo Lula (PT) de que a proposta, já aprovada pela Câmara dos Deputados, deve enfrentar uma tramitação mais lenta entre os senadores. Segundo pessoas próximas a Alcolumbre, o presidente do Senado pretende acelerar a análise de temas considerados centrais na agenda legislativa depois de conduzir as negociações em torno da PEC que reduz a jornada de trabalho da escala 6x1.
O avanço, no entanto, dependeria de um ambiente político favorável. Aliados do senador afirmam que a discussão só deve ganhar ritmo se houver apoio suficiente entre os líderes partidários, condição vista como essencial para evitar desgaste em torno de uma pauta sensível para o governo e para o Congresso.
Nos bastidores, dirigentes do Centrão e integrantes do próprio governo avaliam há meses que a PEC da Segurança Pública teria dificuldades para avançar com rapidez no Senado. A proposta é tratada pelo Palácio do Planalto como uma peça importante da agenda de segurança pública defendida por Lula.
O texto também é visto como pré-requisito para a criação do Ministério da Segurança Pública, compromisso assumido por Lula durante a campanha eleitoral. A eventual instalação da nova estrutura ministerial dependeria da reorganização da política nacional para o setor, tema que continua em discussão entre governo e parlamentares.
A movimentação de Alcolumbre ocorre em meio a debates sobre outras pautas de forte impacto político, como a PEC relacionada ao fim da escala 6x1. Embora o regimento do Senado não proíba a criação de uma comissão especial, o rito específico das propostas de emenda à Constituição não prevê essa etapa, o que provocou críticas à estratégia atribuída ao presidente da Casa.
Entre governistas, a leitura é que a criação de uma comissão especial poderia funcionar como um freio a uma pauta considerada relevante para Lula em 2026. Ainda assim, interlocutores de Alcolumbre sustentam que a intenção do presidente do Senado é organizar a tramitação dos principais temas em negociação, desde que haja respaldo político para avançar.
Com isso, a PEC da Segurança Pública passa a ocupar lugar de maior destaque nas articulações do Senado. A possibilidade de discussão ainda este ano indica uma mudança no tom dos bastidores, embora o ritmo da tramitação siga condicionado à correlação de forças entre líderes partidários, governo e bancadas do Centrão.



