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Alessandro Vieira apelida escândalo Master de 'Toffolão': "tão grande que não dá para esconder"

Relator da CPI do Crime Organizado promete quebras de sigilo após o carnaval em meio a relatório da PF sobre ligações entre Toffoli e o Banco Master

Dias Toffoli e Alessandro Vieira (Foto: Gustavo Moreno/STF | Andressa Anholete/Agência Senado)

247 - O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da CPI do Crime Organizado, classificou como “Toflolão” o escândalo envolvendo o Banco Master e a atuação do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF). Em postagem publicada na noite de quarta-feira (11), o parlamentar afirmou que o caso teria proporções tão grandes que não poderiam ser abafadas “nas artimanhas do sistema”.

A declaração foi feita em meio à repercussão de um relatório da Polícia Federal, revelado por interlocutores do STF como “nitroglicerina pura”, e de mais informações sobre vínculos societários e movimentações financeiras envolvendo o magistrado e o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.

Na publicação, Alessandro Vieira sinalizou que a CPI deve avançar com medidas concretas já nas próximas semanas. “O Tofollão é um escândalo tão grande que não dá para esconder nas artimanhas do sistema. Na semana posterior ao carnaval a CPI do Crime Organizado votará os requerimentos de quebra de sigilo e convocações dos envolvidos”, escreveu. O senador também defendeu que o episódio precisa ser tratado como um marco institucional: “O Brasil só será uma República com todos sob a mesma lei".

Relatório da PF aponta relação próxima entre Toffoli e Vorcaro

O caso ganhou força após a elaboração de um dossiê de cerca de 200 páginas produzido pela Polícia Federal, reunindo registros extraídos do celular de Daniel Vorcaro. Segundo as informações, o documento detalha telefonemas, convites para eventos pessoais e diálogos relacionados a pagamentos envolvendo o resort Tayayá, empreendimento atribuído à família do ministro Dias Toffoli.

O relatório foi entregue pessoalmente pelo diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, ao presidente do STF, Edson Fachin. Ainda que não traga um pedido explícito de afastamento, o material lista elementos que, segundo a avaliação dos investigadores, poderiam tornar insustentável a permanência de Toffoli como relator do chamado caso Master.

Empresa ligada ao resort e repasses financeiros entram no centro da apuração

A dimensão financeira do episódio também passou a ser discutida publicamente após a revelação de que Dias Toffoli seria sócio direto de uma empresa ligada ao resort Tayayá. De acordo com Mônica Bergamo, da Folha de São Paulo, o ministro teria admitido a pessoas próximas o recebimento de valores da Maridt, companhia que vendeu sua participação no empreendimento a um fundo administrado por familiares de Daniel Vorcaro em 2021.

Ainda segundo o relato, Toffoli integra formalmente a sociedade ao lado dos irmãos José Carlos e José Eugênio. O relatório da PF também menciona o pastor Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, descrito como possível operador do banqueiro, apontando-o como interlocutor frequente em assuntos relacionados aos negócios do resort.

Em resposta, o ministro sustenta que os repasses recebidos são compatíveis com lucros societários e afirma que não houve irregularidade. “Todas as transferências de recursos, feitas ao longo de diversos anos, foram lícitas e declaradas à Receita Federal. Têm origem e destino rastreáveis”, declarou Toffoli.

Toffoli reage e chama relatório da PF de "ilações"

A reação do ministro foi dura diante do conteúdo produzido pela Polícia Federal. Em nota oficial, Toffoli afirmou que o relatório não teria base suficiente para questionar sua atuação e contestou qualquer possibilidade de afastamento sugerida pela corporação.

“O relatório da PF trata de ilações. A corporação não tem legitimidade para pedir minha suspeição por não ser parte no processo. Quanto ao conteúdo do pedido, a resposta será apresentada pelo ministro ao presidente da Corte”, afirmou.

Decisões controversas ampliam tensão entre STF e Polícia Federal

Além das suspeitas levantadas pelo dossiê, o desgaste entre Toffoli e a Polícia Federal teria se intensificado por decisões consideradas incomuns por integrantes do Supremo e da própria corporação.

Entre os episódios relatados, está uma viagem ao Peru no mesmo dia em que o ministro determinou sigilo sobre as investigações envolvendo o Banco Master. Segundo as informações, Toffoli teria viajado em um jatinho pertencente a um advogado ligado a um dos diretores do banco, com o objetivo de assistir à final da Libertadores de 2025.

Outro ponto citado é a determinação para que todo o material apreendido na investigação ficasse sob custódia do STF, e não da PF, além da limitação da perícia a apenas quatro agentes previamente escolhidos pelo ministro.

Também chamou atenção a marcação de uma acareação entre o CEO do Banco Master e diretores do Banco Central para o dia 30 de dezembro, antes mesmo de serem ouvidos individualmente os principais envolvidos no caso.

CPI promete avançar após o carnaval

Diante da escalada do caso e do impacto político provocado pelas revelações, Alessandro Vieira indicou que a CPI do Crime Organizado pretende intensificar os trabalhos com pedidos de quebra de sigilo e convocações. A expectativa é de que os requerimentos sejam colocados em votação na semana posterior ao carnaval, ampliando a pressão institucional sobre os citados no relatório e abrindo uma nova etapa de confronto entre a investigação parlamentar e os desdobramentos no Supremo Tribunal Federal.

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