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Anúncios pagos sobre o STF disparam nas redes e viram arma eleitoral para 2026

Levantamento aponta salto de mais de 50 vezes em campanhas digitais sobre a Corte desde 2020, com protagonismo de pré-candidatos ao Senado

Fachada do edifício sede do Supremo Tribunal Federal (STF) - Brasília-DF - 09/06/2020 (Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil)
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247 – O Supremo Tribunal Federal (STF) tornou-se um dos principais alvos da propaganda política digital no Brasil, em meio à antecipação da disputa eleitoral de 2026. O volume de anúncios pagos sobre a Corte nas redes sociais cresceu mais de 50 vezes desde 2020, impulsionado por políticos, pré-candidatos e grupos de militância que passaram a usar críticas ao tribunal como instrumento de mobilização eleitoral.

A informação foi revelada por levantamento do jornal Estado de S. Paulo na biblioteca de anúncios da Meta, considerando os quatro primeiros meses de cada ano desde 2020. Segundo o jornal, os resultados de campanhas pagas sobre o STF nas plataformas da empresa saltaram de cerca de 95 entre janeiro e abril de 2020 para aproximadamente 4,9 mil no mesmo período de 2026.

O número registrado nos quatro primeiros meses deste ano supera a soma dos três primeiros anos da série histórica, entre 2020 e 2022. As campanhas circulam em plataformas como Facebook, Instagram e WhatsApp, e incluem desde críticas aos poderes da Corte até ataques a ministros e defesa de mudanças institucionais no Supremo.

STF vira eixo da disputa pelo Senado

O crescimento dos impulsionamentos é liderado sobretudo por políticos e pré-candidatos ao Senado. A Casa Alta tem papel central em eventuais processos de impeachment de ministros do Supremo, o que transformou o tema em bandeira eleitoral para setores da direita.

Entre os exemplos citados pelo Estadão está o senador Carlos Portinho (PL-RJ), que, em campanha veiculada em março de 2026, defendeu a redução dos poderes do STF. Em outra peça, de 2025, afirmou que “o STF está preocupado com a possibilidade de um Senado alinhado ao presidente Bolsonaro depois das eleições de 2026”.

O senador Zequinha Marinho (Podemos-PA), pré-candidato à reeleição no Pará, comemorou em anúncios impulsionados a rejeição da indicação de Jorge Messias ao STF. Segundo ele, a votação “mostrou para o Brasil” que a composição do Supremo “é determinada pelo Senado Federal”.

Ataques a Moraes, Toffoli e Gilmar entram na propaganda digital

As campanhas também exploram episódios envolvendo ministros como Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. O deputado Marcos Pollon (PL-MS), por exemplo, impulsionou vídeo sobre o caso Banco Master, citando o contrato mantido pelo escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes, com a instituição financeira.

Pollon também mencionou decisões de Dias Toffoli quando o ministro era relator do caso Master no STF. O processo hoje está sob relatoria de André Mendonça, após Toffoli deixar o caso depois de relatório da Polícia Federal apontar menções ao magistrado em mensagens encontradas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro.

Outro exemplo é o deputado Gustavo Gayer (PL-GO), que afirmou em vídeo impulsionado que “a única chance que o Brasil tem de virar a página e voltar a ter sanidade é se nós fizermos maioria no Senado”, porque “só o Senado tem a prerrogativa de fazer o impeachment do STF”.

Especialistas veem limite entre crítica política e ataque institucional

Para o advogado eleitoral Alberto Rollo, críticas a ministros não são, por si só, irregulares. “É preciso ter atenção à liberdade de expressão e diferenciá-la do que é efetivamente crime contra a honra. Altas autoridades devem suportar um nível maior de críticas do que cidadãos comuns”, afirmou ao Estadão.

Ele pondera, no entanto, que caberá à Justiça Eleitoral avaliar casos em que conteúdos falsos ou descontextualizados possam afetar o equilíbrio da disputa.

A professora da ESPM-SP Ana Laura Barbosa também avalia que críticas fundamentadas fazem parte do debate político, mas alerta para discursos voltados a “descredibilizar as instituições ou o sistema eleitoral”. Segundo ela, ataques institucionais “não podem ser objeto de campanha”.

Ministros acompanham avanço das campanhas

Segundo o Estadão, ministros do STF acompanham com preocupação o avanço de campanhas eleitorais que adotam críticas à Corte como bandeira política. Nos últimos dias, o tema foi incorporado aos discursos do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e do ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo).

Zema foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República por calúnia contra Gilmar Mendes, em razão de vídeo no qual insinua que o ministro teria blindado Dias Toffoli no caso do resort Tayayá. O caso tramitará no Superior Tribunal de Justiça.

Enquanto isso, páginas e perfis nas redes também passaram a impulsionar campanhas em defesa de um código de conduta para ministros do Supremo, tema defendido publicamente pelo presidente da Corte, Edson Fachin.

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