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Gilmar Mendes provoca Fachin em crise interna no STF

Ministro criticou presidente do STF em conversa na sala de café e citou interrupções em julgamentos de repercussão

Gilmar Mendes e Edson Fachin (Foto: Gustavo Moreno/STF I Luiz Silveira/STF)
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247 - O ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes provocou Edson Fachin em meio a uma crise interna no STF e chamou o presidente do Supremo Tribunal Federal de “mau perdedor” durante uma conversa tensa na sala de café da Corte, na última quinta-feira (14). As informações foram publicadas pela jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, e repercutidas na Sputnik. Segundo a coluna, Fachin abriu o diálogo ao questionar Gilmar sobre supostas interpretações equivocadas em decisões do decano do tribunal.

A troca de farpas ocorreu em um momento de desgaste público do Supremo. Pesquisas apontam aumento da desaprovação da Corte entre brasileiros, e os bastidores do tribunal também registram tensão entre ministros em torno da condução de processos de grande repercussão.

De acordo com o relato, Gilmar respondeu a Fachin com críticas diretas à forma como o presidente do STF conduz julgamentos. O ministro afirmou que Fachin costuma interromper casos importantes ou adiar decisões quando percebe que suas teses podem sair derrotadas.

“Está ficando muito feio, Fachin. O [ex-presidente do STF Luís Roberto] Barroso não gostava de perder, mas era mais elegante do que você. Reconhecia o resultado. Você, não. É mau perdedor. Interrompe o jogo e leva a bolinha para casa ao ver que vai ser derrotado.”

Discussão ocorreu diante de outros magistrados

A conversa áspera entre os dois ministros ocorreu diante de outros magistrados, segundo a coluna. Até o momento citado no relato, a assessoria do STF não havia se manifestado sobre o episódio.

O desentendimento envolve uma determinação de Fachin para que todas as petições apresentadas em processos arquivados passem pela validação da Presidência antes de seguir ao ministro relator. Gilmar interpretou a medida como uma indireta dirigida a ele.

A partir desse episódio, o decano enviou mensagens ao presidente do STF e cobrou que ele interrompesse menos julgamentos com alta repercussão. Na avaliação de Gilmar, Fachin tem deixado temas relevantes sem decisão.

“Impressiona o número de processos importantes paralisados por sua iniciativa, é o 'filibuster' aplicado ao STF. A não decisão de temas relevantes vai se tornando a marca de sua presidência.”

Gilmar usa termo associado ao Senado dos EUA

Ao usar a palavra “filibuster”, Gilmar Mendes fez referência a uma prática comum no Senado dos Estados Unidos. O termo descreve situações em que parlamentares prolongam debates para atrasar ou impedir a votação de uma proposta à qual se opõem.

No contexto do STF, o ministro aplicou a expressão para acusar Fachin de retardar decisões relevantes. A crítica aponta para uma disputa de método dentro da Corte e revela divergências sobre o ritmo de julgamentos.

A tensão entre Gilmar e Fachin também expõe um incômodo maior nos bastidores do Supremo: a relação entre a Presidência da Corte, os relatores e a tramitação de casos sensíveis. A determinação sobre petições em processos arquivados funcionou como gatilho para uma crise que já vinha ganhando força.

Atrito amplia desgaste no Supremo

O episódio ocorre em meio a um cenário de pressão sobre o STF, que enfrenta críticas externas e questionamentos sobre sua imagem pública. Dentro da Corte, a discussão entre o presidente e o decano mostrou que o ambiente institucional também atravessa um período de desgaste.

Gilmar Mendes ocupa hoje a posição de decano do tribunal e costuma atuar como uma das vozes mais influentes da Corte. Edson Fachin, por sua vez, comanda o STF em uma fase marcada por decisões de forte impacto político e jurídico.

A troca de acusações na sala de café reforçou a percepção de tensão no Supremo e colocou em evidência divergências internas sobre a condução de julgamentos, o controle de petições e o papel da Presidência na gestão dos processos.

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