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Caso Daniel Vorcaro: Toffoli revê decisão após a PF apontar evidência de “novos ilícitos”

O ministro do Supremo afirmou ter reconsiderado os argumentos da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República

Dias Toffoli (Foto: Gustavo Moreno/SCO/STF)

247 - O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli atendeu um pedido feito pela Polícia Federal (PF) para realizar novas diligências na residência do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, nesta quarta-feira (14). O magistrado afirmou ter negado parcialmente um pedido anterior, mas reconsiderou os argumentos da PF e da Procuradoria-Geral da República.

Em sua decisão, o ministro não chegou a dizer a causa de sua rejeição inicial, mas pontuou que está "ciente da informação sobre o correto endereço das pessoas em cujos domicílios serão realizadas as buscas já deferidas". O relato saiu no jornal Folha de S.Paulo.

De acordo com o magistrado, há “evidência de prática de novos ilícitos, supostamente cometidos pelo investigado", conforme esclarecido pela PF. A corporação afirmou ser necessária a "colheita de elementos probatórios complementares".

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, foi favorável à nova ação da PF. Segundo o chefe da PGR, "a diligência de busca e apreensão realizada no âmbito da Operação Compliance Zero no endereço sob análise não abrangeu o contexto mais amplo que a apuração em espécie busca examinar, tornando-se, assim, necessário, útil e pertinente que o investigado seja alvo de busca e apreensão em referido endereço, para colheita de documentos, anotações, registros, mídias, aparelhos eletrônicos e demais dispositivos de armazenamento de dados".

A defesa de Vorcaro afirmou que o seu cliente tem colaborado com as autoridades.

Detalhes das investigações

Investigadores apuram fraudes financeiras envolvendo o Banco Master. Em novembro, o Banco Central determinou a liquidação extrajudicial do banco após suspeitas de fraude na venda de carteiras de crédito do Master no valor de R$ 12,2 bilhões para o Banco de Brasília (BRB), que é público.

O empresário Daniel Vorcaro foi preso em novembro de 2025, durante a primeira fase da Operação Compliance Zero, que apura fraudes financeiras. Ele foi solto dias depois, por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. O ex-banqueiro e outros quatro executivos do banco foram beneficiados com a soltura, mas com uso de tornozeleira eletrônica e cumprimento de outras medidas restritivas.

Nesta quarta (14), policiais federais iniciaram a segunda etapa das apurações. Foram apreendidos bens como carros, relógios de luxo e outros itens de valor em endereços ligados a envolvidos em suspeitas de fraudes financeiras no Banco Master.

O juiz Ricardo Leite, da 10ª Vara da Justiça Federal, em Brasília, foi quem autorizou a 'Compliance Zero'. Além de Vorcaro, mais seis executivos ligados ao banco são acusados de fraude em papéis vendidos ao BRB.

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