Ex-presidente do BRB reclamou com Vorcaro sobre 3 mil documentos de carteiras podres feitos às pressas
Investigação aponta produção recente de papéis e suspeitas em operação com crédito do Banco Master
247 - O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa questionou a elaboração acelerada de milhares de documentos ligados a carteiras de crédito consideradas problemáticas. A manifestação ocorreu em diálogo com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e ganhou relevância após a deflagração da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. As informações foram publicadas pela coluna Grande Angular, do portal Metrópoles, nesta quarta-feira (22).
Na conversa registrada em 30 de junho de 2025, Paulo Henrique Costa demonstrou preocupação com a origem e a consistência da documentação relacionada às carteiras transferidas. “Esses três mil documentos foram todos produzidos agora e são somente as CCBs do Master para o BRB. Não temos clareza do que aconteceu com o tomador original, da documentação da promotora para o cliente. Essa é uma documentação que já deveria existir”, afirmou.
A fala indica dúvidas sobre a cadeia de formalização dos contratos e levanta questionamentos sobre a validade dos registros apresentados ao banco público.
Investigação aponta suspeitas de irregularidades
De acordo com investigadores, o ex-dirigente do BRB teria recebido vantagens indevidas para favorecer o Banco Master em operações financeiras. A apuração menciona a entrega de seis imóveis avaliados em R$ 146,5 milhões como parte do suposto esquema. A defesa de Paulo Henrique Costa classificou a prisão como “desnecessária”.
No período da troca de mensagens, o BRB aguardava posicionamento do Banco Central sobre a possível aquisição do Banco Master. Ao mesmo tempo, já havia comprado cerca de R$ 12 bilhões em carteiras de crédito da instituição.
Estrutura das operações sob análise
As investigações apontam que essas carteiras teriam sido estruturadas por meio de uma empresa considerada de fachada, chamada Tirreno. Segundo a apuração, o Banco Master teria criado os ativos nessa estrutura antes de transferi-los ao BRB.
Após questionamento do Banco Central, o Master informou que os créditos estavam vinculados a operações consignadas associadas a duas entidades da Bahia ligadas ao ex-sócio Augusto Lima.
O caso segue sob análise das autoridades e amplia o escrutínio sobre operações financeiras envolvendo bancos e a origem de ativos negociados no sistema financeiro.


