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Gilmar Mendes admite erro em fala sobre homossexualidade ao criticar Zema

Ministro do STF pediu desculpas após declaração em entrevista e reafirmou críticas a vídeo publicado por Romeu Zema contra a Corte

Ministro do STF Gilmar Mendes (Foto: Luiz Silveira/STF)

247 – O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que errou ao relacionar homossexualidade a uma acusação contra Romeu Zema, em entrevista concedida ao Metrópoles nesta quinta-feira (23). 

Ao comentar a inclusão do ex-governador de Minas Gerais no inquérito das fake news, Gilmar usou um exemplo que depois reconheceu como inadequado. "Imagine que comecemos a fazer bonecos do Zema como homossexual. Será que não é ofensivo?", disse o ministro.

Mais tarde, nas redes sociais, Gilmar Mendes se desculpou. "Errei quando citei a homossexualidade ao me referir ao que seria uma acusação injuriosa contra o ex-governador Romeu Zema", afirmou. "Desculpo-me pelo erro. E reitero o que está certo", completou.

A retratação ocorreu no contexto da reação do ministro a um vídeo publicado por Zema em março nas redes sociais. Na peça, o ex-governador mineiro faz críticas ao STF e aos ministros Gilmar Mendes e Dias Toffoli, no contexto do caso Master. Os magistrados aparecem retratados como fantoches.

Nesta semana, Gilmar Mendes pediu ao ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito das fake news, que Zema fosse incluído na investigação. No pedido, Gilmar afirmou ter tomado conhecimento do vídeo em 5 de março e disse que o conteúdo “vilipendia” a honra e a imagem do Supremo e também a sua própria.

Segundo interlocutores do STF citados pelo G1, Moraes encaminhou o caso para manifestação da Procuradoria-Geral da República.

Zema, por sua vez, disse em entrevista ao Estúdio i, da GloboNews, na segunda-feira (20), que não havia sido notificado. "Eu não fui notificado. Parece que tem sido um modus operandi do Supremo, em especial de alguns ministros, fazerem isso sem dar o devido o direito de defesa à outra parte, de forma que tudo é sigiloso e, quando você toma conhecimento [da investigação], já está num estágio mais avançado", declarou.

O inquérito das fake news apura a disseminação de notícias falsas, ameaças e ataques contra ministros do STF e contra o sistema democrático. A investigação foi instaurada de ofício pelo então presidente da Corte, Dias Toffoli, e tem Alexandre de Moraes como relator.

Desde sua abertura, o inquérito busca identificar estruturas organizadas que atuem para desacreditar instituições, intimidar autoridades e estimular discursos contra a democracia, especialmente nas redes sociais.

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