Hugo Motta inviabiliza CPI do Banco Master na Câmara
Presidente afirma que seguirá fila de 16 pedidos e, ao repetir que em 2025 não instalou nenhuma comissão, esvazia pressão de parlamentares em ano eleitoral
247 – O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), sinalizou que não pretende levar adiante, neste momento, a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o Banco Master. Ao afirmar que seguirá a ordem cronológica dos requerimentos já protocolados, Motta acabou por empurrar a proposta para o fim da fila e, na prática, enterrou a possibilidade de instalação imediata da comissão.
As informações foram publicadas pelo jornal Estado de S. Paulo, que relata a declaração feita por Motta nesta segunda-feira, 9, diante da pressão crescente de parte dos parlamentares para que a investigação avance na Casa.
Declaração de Motta trava avanço do pedido de CPI
A CPI do Master na Câmara foi protocolada na semana passada pelo deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF). O requerimento, no entanto, é o único apresentado em 2026 e, por isso, aparece como o último entre os 16 pedidos que aguardam apreciação.
Ao tratar do assunto, Motta sustentou que seguirá o regimento e a fila de solicitações existentes, sem sinalizar qualquer abertura para acelerar a análise. “A Câmara tem seu regimento, temos 16 CPIs protocoladas; temos que obedecer a ordem cronológica para poder decidir sobre instalação ou não dessas comissões parlamentares de inquérito”, afirmou o presidente da Câmara, segundo o relato publicado.
O posicionamento reforça a avaliação de que, se nada mudar, o pedido de Rollemberg dificilmente terá desfecho no curto prazo, especialmente em um cenário de disputas políticas intensas e de cálculo eleitoral dentro do Parlamento.
“Não instalar nenhuma”: o recado sobre 2025 e o ambiente político
Além de invocar a ordem cronológica, Motta recordou que, em 2025, tomou a decisão de não criar comissões desse tipo. Ao mencionar o precedente, ele deixou ainda mais claro o grau de resistência no comando da Casa: disse que, no ano passado, optou por “não instalar nenhuma”.
Na leitura política, a fala funciona como um sinal de contenção: ao mesmo tempo em que reconhece a existência de pressão, o presidente da Câmara transmite a mensagem de que não pretende abrir novas frentes de desgaste institucional e disputa interna, sobretudo em um período em que muitos parlamentares buscam calibrar o discurso para suas bases.
O próprio texto publicado aponta que o critério para a apreciação de CPIs é, em grande medida, político. Isso significa que a condução do tema pode variar conforme o “clima” no Parlamento. Ainda assim, a declaração pública de Motta, no cenário atual, indica que a prioridade será manter o tema sob controle e longe de uma escalada que desorganize a agenda da Câmara.


