Investigação sobre Banco Master divide STF e expõe tensão interna em torno de Toffoli e Moraes
Relatoria sob sigilo, ações durante o recesso e vínculos indiretos com o banco alimentam críticas, enquanto aliados falam em tentativa de “operação abafa”
247 – O avanço das investigações sobre suspeitas de fraudes envolvendo o Banco Master abriu uma fissura nos bastidores do Supremo Tribunal Federal (STF), com ministros divididos entre críticas e manifestações de apoio às condutas adotadas no caso. No centro da controvérsia está o ministro Dias Toffoli, relator do inquérito que passou a ser associado ao escândalo, enquanto Alexandre de Moraes aparece de forma indireta no episódio, também alvo de incômodo em parte da Corte.
As informações foram publicadas pelo jornal Estado de S. Paulo, em reportagem da jornalista Carolina Brígido, que descreve um ambiente de tensão crescente no tribunal, marcado por avaliações reservadas de ministros sobre a condução do processo e sobre os efeitos políticos do caso para a credibilidade institucional do STF.
No núcleo das críticas, ministros apontam que decisões de Toffoli teriam imposto um nível elevado de sigilo à apuração e criado ruídos desnecessários. Entre os episódios mencionados, estão a viagem em voo particular na companhia de um advogado ligado à causa, a determinação de acareação entre investigados durante o recesso e a ordem para entrega, no próprio STF, de itens apreendidos.
A participação indireta de Alexandre de Moraes também entrou no radar de uma ala do tribunal. De acordo com o relato, a esposa do ministro, Viviane de Moraes, mantém contrato milionário com o Banco Master, elemento que, nos bastidores, passou a ser citado como fator adicional de desconforto entre integrantes da Corte.
O presidente do STF, Edson Fachin, é descrito como parte do grupo que acompanha o caso com cautela, mantendo distância pública, mas observando atentamente os desdobramentos e a atuação dos colegas. Até o momento, segundo o texto, os ministros evitam declarações públicas sobre o Banco Master por considerarem que qualquer frase fora de contexto poderia ampliar a vulnerabilidade do tribunal diante de ataques.
Em paralelo às críticas, há ministros próximos de Toffoli e de Moraes que sustentam outra leitura do cenário. Para esse grupo, as notícias envolvendo a dupla poderiam compor um movimento de pressão contra o Supremo, na linha do que foi descrito como uma tentativa de “operação abafa” para conter o avanço das investigações.
A reportagem também relata um episódio recente que elevou a temperatura interna. No domingo, 11, o jornal Estado de S. Paulo informou que empresas ligadas a irmãos de ministro tiveram como sócio um fundo de investimentos conectado aos negócios do Banco Master. Três dias depois, Toffoli autorizou uma nova ofensiva, com 42 mandados de busca e apreensão em endereços ligados a Daniel Vorcaro e familiares, sinalizando que não pretende recuar.
Enquanto o STF administra o desgaste, o caso começa a ganhar musculatura política no Congresso Nacional. Segundo o texto, cresce a ideia de instalação de uma CPMI para investigar relações entre ministros do Supremo e a trama associada ao Banco Master, ampliando o risco de que a crise transborde do campo jurídico para um embate ainda mais explícito entre Poderes.
Nos bastidores, o caso também gerou inquietação por suspeitas de vazamento e por reações internas que poderiam resultar em novas fraturas. A reportagem afirma que circulou entre ministros a informação de que Moraes teria mandado investigar se Receita Federal e Coaf teriam divulgado ilegalmente dados sigilosos de parentes de integrantes do STF. Ainda de acordo com o relato, Moraes não teria comunicado o assunto aos colegas, e a assessoria de imprensa do tribunal não confirmou nem desmentiu a informação.
Revanche interna
Um ministro ouvido reservadamente, segundo a reportagem, avaliou como relevante apurar se houve vazamento de dados de familiares de membros do STF. Outro, no entanto, manifestou preocupação com a possibilidade de “revanche” interna relacionada a suposto vazamento de informações às vésperas da nova fase da operação.
Ao final de 2025, a expectativa em Brasília era de que o recesso ajudaria a reduzir a pressão política associada às investigações. O ambiente descrito agora indica o contrário. A apuração segue avançando, o tribunal enfrenta divergências internas sobre o custo institucional da condução do caso e, com ou sem recesso, o escândalo tende a continuar alimentando a tensão entre Poderes.


