Messias articula apoio no Senado para vaga no STF após diálogo com Pacheco e acenos do Planalto
Advogado-geral da União retoma estratégia política para conquistar votos em meio a gestos de Lula para reduzir tensões com o Senado
247 - O advogado-geral da União, Jorge Messias, deve retomar nos próximos dias as articulações diretas com senadores para viabilizar sua indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF). Após um período de menor intensidade nas negociações durante o recesso do Congresso, o movimento ocorre em meio a conversas com figuras centrais do Senado e a sinais do Palácio do Planalto voltados à recomposição da relação com a Casa, relata o jornal O Globo.
Messias tem mantido encontros com parlamentares influentes, entre eles o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD-MG) e o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Otto Alencar (PSD-BA). Mesmo preterido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na escolha para o STF, Pacheco segue como uma referência entre senadores no debate sobre a vaga aberta na Corte.
Messias se reuniu com Pacheco em Brasília poucos dias antes do Natal. A decisão de Lula de não indicar o ex-presidente do Senado provocou insatisfação no chefe da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), e ampliou resistências à indicação do advogado-geral da União. O teor da conversa entre Messias e Pacheco, no entanto, permaneceu reservado.
Ao comentar o assunto, Otto Alencar afirmou que foi informado do encontro, mas disse não ter recebido detalhes. “A conversa deles dois deve ter sido cordial, são muito educados, mas ele não deu detalhes de como foi”, declarou o presidente da CCJ. Pouco antes do Natal, Lula também recebeu Alcolumbre no Palácio da Alvorada, em uma tentativa de tratar do impasse.
Durante o recesso, Messias passou férias na Bahia e manteve contato pontual com aliados. Na segunda-feira (12), ele jantou com Otto Alencar. O senador relatou que a iniciativa partiu dele, após saber que o ministro estava no estado. Otto também ressaltou que ainda não há definição sobre a data da sabatina na CCJ. “Eu não tenho como dizer (se o clima está favorável para aprovação) porque eu não pergunto a nenhum senador em quem vai votar ou induzo senador a votar assim ou assado. Quem tem que se virar para arrumar voto é ele mesmo, o Messias. A gente só foi jantar”, afirmou.
Procurado, o advogado-geral da União informou que está de férias e que não definiu uma agenda para a retomada das articulações após o recesso. Mesmo sem encontros presenciais frequentes, Messias manteve gestos discretos de aproximação por meio das redes sociais, interagindo com publicações de senadores como Otto Alencar, Jaques Wagner (PT-BA), Angelo Coronel (PSD-BA), Renan Calheiros (MDB-AL) e Weverton Rocha (PDT-MA).
A redução dos contatos diretos durante o período foi vista por aliados como estratégica. A avaliação no entorno do indicado é que insistir em negociações enquanto o Congresso estava oficialmente parado poderia reforçar resistências já consolidadas. A postura representou uma mudança em relação às semanas anteriores, quando Messias intensificou visitas a gabinetes e encontros individuais em busca dos 41 votos necessários para a aprovação.
Em dezembro de 2025, a tentativa de realizar a sabatina na CCJ foi abortada após o Palácio do Planalto não enviar ao Senado a mensagem formalizando a indicação. A decisão levou Davi Alcolumbre a cancelar a audiência, expondo publicamente a fragilidade do apoio ao nome de Messias. Nos bastidores, aliados avaliam que o adiamento deu tempo ao governo, mas também evidenciou o grau de resistência política à escolha.
Desde então, a indicação passou a ser tratada como um processo em compasso de espera. No Planalto, a avaliação é de que o cenário ainda pode ser administrado. Interlocutores relatam que Lula classificou como “muito boa” uma conversa recente com Alcolumbre, realizada antes do Natal, na qual o impasse foi abordado. O presidente já reconheceu publicamente a existência de um “problema” com o Senado, que preferia outro nome para a vaga no Supremo, mas reiterou que manterá sua decisão.
Paralelamente, o governo passou a sinalizar disposição para recompor a relação com o Senado em outras frentes. Um dos gestos mais sensíveis foi a indicação de Otto Lobo para a presidência da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), escolha defendida por parte dos senadores e interpretada no Congresso como um aceno político de Lula. A decisão contrariou a posição do ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), e foi lida como parte de um esforço mais amplo para reduzir tensões em meio ao impasse envolvendo a vaga no STF.


