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'Postura é de puro interesse político e de capacho', dispara Zarattini sobre Flávio Bolsonaro

Deputado do PT afirma que carta do secretário de Estado dos EUA expõe interesse eleitoral de Flávio Bolsonaro em meio ao tarifaço contra o Brasil

Carlos Zarattini, Flávio Bolsonaro, Marco Rubio e um ato contra tentativa de interferência dos EUA no Brasil (Foto: Divulgação I Agência Câmara I Agência Senado I Reuters)
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247 - O deputado federal Carlos Zarattini (PT-SP) criticou nesta sexta-feira (26) a carta escrita pelo secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República. “A suposta carta de Rubio para Flávio Bolsonaro deixa claro que: Flávio só se posicionou contra as tarifas por interesse político, por causa das críticas. E mais: a postura de Flávio é de capacho, totalmente subserviente aos interesses dos EUA, colocando os interesses próprios acima da defesa dos interesses do Brasil”, escreveu o petista na rede social X, antigo Twitter. 

Na carta, Rubio reforça que existem divergências comerciais relevantes entre Brasil e Estados Unidos e destaca que a investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) poderá resultar na adoção de sobretaxas contra produtos brasileiros, conforme o processo iniciado durante o governo de Donald Trump

No final de maio, o pré-candidato passou três dias nos EUA para fazer articulações com a extrema direita estadunidense, com o objetivo de estimular sanções contra o Brasil por causa de condenações no inquérito da trama golpista. O Supremo Tribunal Federal condenou 29 pessoas. Jair Bolsonaro (PL) recebeu a pena mais alta (27 anos e três meses de prisão). 

O senador Flávio Bolsonaro viajou para os EUA em 25 de maio e retornou três dias depois. No começo de junho, os EUA defenderam um tarifaço de 25% e também criticaram o Pix, sistema de pagamento lançado pelo Banco Central em 2020. Mesmo sem provas, o governo Trump acusou o Brasil de adotar práticas desleais no comércio. 

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Gráfico. Foto: Reprodução (247/IA)

Secretário destaca aproximação política

Logo no início da carta, Marco Rubio agradece uma correspondência enviada pelo senador brasileiro e a recente visita de Flávio Bolsonaro a Washington, ressaltando o que considera uma convergência de valores entre ambos.

"Obrigado por sua carta e por sua recente visita a Washington. Compartilho de sua convicção de que a amizade duradoura entre os Estados Unidos e o Brasil deve permanecer ancorada em valores compartilhados, respeito mútuo e uma visão unificada para a segurança e prosperidade do Hemisfério Ocidental", escreveu Rubio

A carta também revela que Flávio Bolsonaro informou ao governo estadunidense que colocaria à disposição uma "equipe de transição" caso fosse eleito presidente da República nas eleições de outubro.

Ao encerrar a resposta, Rubio afirma que a proposta foi registrada pelo governo dos Estados Unidos e ressalta que o país está disposto a trabalhar com os líderes escolhidos pelo povo brasileiro para construir uma relação baseada em investimentos considerados mutuamente benéficos.

Movimentação preocupante 

O episódio também ocorre em um ambiente de crescente preocupação com interferência externa no processo político brasileiro. Trump compartilhou em sua conta na Truth Social um artigo do site Newsmax que celebra o avanço de aliados de direita na América Latina e descreve o Brasil como o “próximo grande teste” da influência regional do republicano.

O texto, assinado por John Gizzi, sustenta que Trump acumulou “8 vitórias em 7 anos” na América Latina. A análise cita a Colômbia, após a vitória de Abelardo de la Espriella, do Defensores de la Patria, e inclui ainda El Salvador, Argentina, Equador, Honduras, Bolívia, Chile e Peru como países ligados a esse movimento de alinhamento político à direita trumpista.

Articulações perigosas 

As articulações de Flávio Bolsonaro com atores políticos dos Estados Unidos também ganharam destaque em outro episódio. Em 25 de outubro de 2025, o senador respondeu a uma publicação do secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, e pediu apoio para atacar barcos que, segundo ele, transportariam drogas no Rio de Janeiro.

“Que inveja! Ouvi dizer que há barcos como este aqui no Rio de Janeiro, na Baía de Guanabara, inundando o Brasil com drogas. Você não gostaria de passar alguns meses aqui nos ajudando a combater essas organizações terroristas?”.

Em 5 de junho de 2026, entrou em vigor a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras pelos Estados Unidos. A medida pode gerar consequências jurídicas, financeiras e militares e amplia o debate sobre soberania nacional, sanções e riscos de pressão externa sobre o Brasil.

Para críticos da iniciativa, a designação das facções brasileiras como organizações terroristas pode abrir caminho para novas sanções contra o país. A avaliação de Zarattini reforça a disputa política em torno da atuação de Flávio Bolsonaro nos EUA e do impacto das medidas adotadas pelo governo de Donald Trump sobre os interesses brasileiros.

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