Pressionado, Alcolumbre deve destravar PEC do fim da escala 6x1
Presidente do Senado está pressionado pela opinião pública e, agora, pela acusação de ter recebido R$ 155 milhões de Daniel Vorcaro, do Banco Master
247 - O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), sinalizou a aliados que pretende destravar, na próxima semana, a tramitação da proposta que acaba com a escala 6x1, modelo em que trabalhadores com carteira assinada atuam seis dias e têm apenas um dia de folga, em meio a uma pressão crescente para que o Congresso avance na discussão sobre jornada de trabalho e direitos trabalhistas, informa Daniela Lima, do UOL.
Alcolumbre deve cumprir o rito previsto no regimento interno do Senado, sem acelerar artificialmente a tramitação da proposta, mas dando o primeiro passo para colocar o texto em movimento. O plano é encaminhar a matéria à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), presidida pelo senador Otto Alencar (PSD-BA), aliado do governo.
A proposta já foi aprovada pela Câmara dos Deputados e, agora, depende da análise dos senadores para seguir avançando no Congresso. A abertura da tramitação no Senado representa uma etapa decisiva para o futuro do texto, que ganhou força nas ruas e passou a ocupar espaço central no debate público em ano eleitoral.
Relatoria é disputada por senadores
A movimentação de Alcolumbre ocorre em um momento em que nomes do centro e da centro-esquerda reivindicam a relatoria da proposta no Senado. A escolha do relator será determinante para a condução política do projeto, o ritmo da análise e a forma como eventuais ajustes poderão ser discutidos na CCJ.
O fim da escala 6x1 passou a mobilizar trabalhadores, movimentos sociais e parlamentares que defendem mudanças na organização da jornada semanal. A pressão pública fez com que deputados e senadores passassem a tratar o tema como uma das principais pautas trabalhistas em debate no Congresso.
Caso Banco Master amplia pressão sobre Alcolumbre
Alcolumbre, que já estava pressionado para dar andamento à PEC, passou a enfrentar mais um foco de desgaste político. Segundo reportagem publicada pela revista Veja na quinta-feira (11), a proposta de delação premiada apresentada pela defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, inclui informações sobre supostos repasses feitos ao presidente do Senado.
Vorcaro teria relatado repasses de US$ 30 milhões a Alcolumbre, valor equivalente a cerca de R$ 155 milhões na cotação atual. A informação reacendeu a pressão política pela instalação de uma CPI ou CPMI para investigar o Banco Master e suas relações com autoridades públicas.
Parlamentares favoráveis à apuração já cobravam que o Congresso avançasse nas investigações sobre o caso. As transações envolvendo Vorcaro aumentaram a pressão sobre Alcolumbre, em um cenário de desgaste político provocado pelas revelações relacionadas ao ex-banqueiro.
Alcolumbre nega ter recebido valores de Vorcaro, no Brasil ou no exterior, e afirmou que acionará o ex-banqueiro na Justiça. A proposta de delação foi rejeitada formalmente pela Polícia Federal, enquanto a PGR ainda avaliava os novos dados apresentados pela defesa de Vorcaro.
Gesto ao Planalto
O avanço da proposta sobre o fim da escala 6x1 também é visto como um gesto de Alcolumbre em direção ao Palácio do Planalto. A relação entre governo e Senado ficou marcada por desconforto após a rejeição, pela Casa, do nome de Jorge Messias, advogado-geral da União, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal.
Nesse contexto, destravar a análise da PEC pode ajudar a reduzir tensões com o governo. A pauta tem forte apelo social e mobiliza setores da base governista, que apostam na aprovação do texto ainda neste semestre.
Governo espera aprovação neste semestre
A base do governo trabalha com a expectativa de que a proposta seja aprovada até o fim deste semestre. Apesar da sinalização favorável ao avanço do texto, Alcolumbre deve manter o rito regimental e evitar uma tramitação acelerada.
A discussão sobre o fim da escala 6x1 chega ao Senado em um momento de forte pressão social por mudanças na jornada de trabalho e de intensificação do debate político em torno de direitos trabalhistas, da relação entre Congresso e Planalto e do impacto das novas revelações envolvendo o caso Banco Master.



