Rogério Correia critica decisão de Mendonça que permitiu que Vorcaro não compareça à CPMI: 'difícil de entender'
Há elementos que justificariam a oitiva do ex-banqueiro, afirmou o parlamentar
247 - O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) criticou a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça que desobriga o ex-banqueiro Daniel Vorcaro de prestar depoimento na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. As declarações foram publicadas pelo parlamentar nesta sexta-feira (20) na rede social X.
Segundo a postagem divulgada, Correia afirmou ser “difícil entender” o motivo pelo qual Vorcaro foi dispensado de comparecer à comissão, que investiga possíveis irregularidades no Instituto Nacional do Seguro Social. Para o deputado, há elementos que justificariam a oitiva do ex-banqueiro.
Em sua manifestação, o parlamentar sustentou que existem “indícios de que ele (Vorcaro) pode contribuir — e muito — para esclarecer as fraudes no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social)”. Ele acrescentou ainda que “não é a primeira vez que isso acontece”, ao mencionar decisões judiciais que, segundo ele, afastam convocados da obrigação de depor perante a CPMI.
O deputado citou como exemplo o caso de Camizotti, a quem se referiu como o “chefe do Careca do INSS”. De acordo com o deputado, “um caso emblemático foi o do Camizotti, o ‘chefe do Careca do INSS’, que mesmo preso recebeu habeas corpus para não comparecer à CPMI”.
Cobrança por novas convocações
O deputado também mencionou a situação do pastor Zettel, apontado como sócio e cunhado de Daniel Vorcaro. Conforme a publicação, ele destacou que ainda não foi votado o requerimento para convocação do religioso à comissão.
Na mesma mensagem, Rogério Correia afirmou: “E tem mais: até hoje não votaram o requerimento para convocar o pastor Zettel, sócio e cunhado de Vorcaro, que contribuiu com R$ 5 milhões nas campanhas de Bolsonaro e Tarcísio de Freitas. Precisamos insistir que isso seja posto em pauta. A blindagem precisa parar!”.
Fraudes no INSS
A operação “Sem Desconto”, conduzida pela Polícia Federal em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU), foi deflagrada em abril com o objetivo de desmontar um esquema nacional de cobranças indevidas sobre benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). As investigações apontam que, entre 2019 e 2024, mais de R$ 6,3 bilhões foram descontados de aposentadorias e pensões sem autorização dos segurados.
De acordo com as apurações, entidades associativas teriam pago propina a servidores públicos para obter acesso a dados de beneficiários e viabilizar os descontos irregulares. O esquema também teria contado com empresas de fachada e o uso de “laranjas” para operacionalizar as cobranças.
A estimativa é de que cerca de 4 milhões de pessoas tenham sido afetadas pela fraude. Desse total, 95% declararam não ter autorizado qualquer tipo de débito em seus benefícios previdenciários.
A CPMI
A CPMI é formada por 15 senadores e 15 deputados, mais um integrante de cada Casa representando a minoria. São 32 titulares, com o mesmo número de suplente
A CPMI do INSS foi instalada para apurar suspeitas de fraudes e irregularidades no instituto, e as declarações do deputado intensificam o debate político em torno das decisões judiciais que envolvem a condução dos trabalhos da comissão.


