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Teresa Leitão assume liderança do governo com lista de desafios no Senado

Nova líder do governo no Senado terá de destravar pautas de Lula, conter projetos de impacto fiscal e reconstruir diálogo com Alcolumbre

Teresa Leitão (Foto: Carlos Moura/Agência Senado)
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247 - A senadora Teresa Leitão (PT-PE) assume a liderança do governo Lula (PT) no Senado em um momento de forte pressão política para destravar pautas de interesse do Planalto, conter projetos com alto impacto fiscal e recompor a interlocução com o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). A nova líder do governo no Senado terá de atuar em meio a um calendário apertado, à proximidade das eleições e ao desgaste entre o governo e a cúpula do Senado, relata o jornal O Globo.

Teresa foi escolhida por Lula para substituir Jaques Wagner (PT-BA), que deixou a função após ser alvo de uma operação da Polícia Federal relacionada às investigações sobre o Banco Master. A nomeação da senadora foi anunciada na quinta-feira (25), em uma tentativa do governo de reorganizar sua articulação na Casa Alta diante de votações consideradas estratégicas pelo Planalto.

Eleita em 2022, Teresa Leitão preside atualmente a Comissão de Educação e Cultura do Senado. Seu nome já era citado nos bastidores por um fator considerado relevante pelo governo: ela não disputará as eleições deste ano, o que, na avaliação de aliados, pode permitir dedicação maior à articulação parlamentar. A escolha de uma mulher para o posto também foi interpretada como um gesto político de Lula a um segmento importante da base petista.

Apesar disso, a nova líder encontrará resistências e limitações. Integrantes da base governista reconhecem que Teresa não tem a mesma capilaridade política de Jaques Wagner entre as bancadas e tampouco mantém relação tão próxima com Alcolumbre. Um ministro do governo, porém, minimiza eventuais dificuldades e sustenta que a senadora tem boa interlocução com o presidente do Senado. Já um aliado de Alcolumbre afirma que a relação entre os dois é apenas cordial, semelhante à mantida com outros parlamentares.

Nesse cenário, o ministro José Guimarães (PT), da Secretaria de Relações Institucionais, deve concentrar esforços no Senado para reforçar a articulação do governo junto à cúpula da Casa. A avaliação no Planalto é que a Câmara dos Deputados já aprovou temas de interesse do Executivo e que o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), mantém uma relação mais próxima com Lula.

Ao oficializar a escolha de Teresa Leitão, Lula afirmou que a senadora terá a missão de conduzir a articulação em torno de projetos “de interesse da população brasileira que estão em tramitação”. Entre as prioridades citadas pelo governo estão a PEC do fim da escala 6x1 e a PEC da Segurança Pública, ambas consideradas bandeiras relevantes da atual gestão.

Além dessas propostas, o Planalto também busca avançar com o projeto sobre minerais críticos. O tema ganhou peso adicional diante das ameaças do governo dos Estados Unidos de impor novas sanções a produtos brasileiros. Para o Executivo, a discussão sobre minerais estratégicos tem relevância econômica e geopolítica, especialmente em um contexto de disputas comerciais internacionais.

O principal obstáculo para a agenda do governo, no entanto, é a relação estremecida entre Lula e Alcolumbre. O afastamento ocorreu após a rejeição, pelo Senado, da indicação de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). No Planalto, a leitura é que Alcolumbre teve papel central na derrota imposta ao presidente, considerada um revés político significativo.

Desde então, interlocutores foram mobilizados para tentar reconstruir pontes entre os dois. Entre os nomes escalados estão José Guimarães, Hugo Motta, o ministro da Defesa, José Múcio, e o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP). Até o momento, porém, não houve avanço concreto. Embora Lula tenha sinalizado disposição para um encontro, aliados afirmam que ainda não há ambiente político favorável para uma conversa direta.

O tempo também joga contra o governo. O Planalto quer aprovar as principais propostas ainda antes do recesso parlamentar, que começa oficialmente em 18 de julho. A partir de agosto, a tendência é de esvaziamento do Congresso, com deputados e senadores mais voltados às bases eleitorais. Para o governo, votar temas de grande alcance nacional antes desse período permitiria transformar as medidas em vitrines políticas da gestão Lula.

Além de tentar destravar projetos prioritários, Teresa Leitão terá de trabalhar para impedir o avanço das chamadas pautas-bomba, propostas com potencial de elevar fortemente os gastos públicos. No dia 10, o Senado aprovou ou avançou com três matérias que, segundo cálculos do governo federal, podem gerar impacto fiscal de cerca de R$ 300 bilhões.

Entre os textos que preocupam o Planalto estão propostas de renegociação de dívidas rurais, aumento do piso salarial de médicos e aposentadoria especial para enfermeiros. A movimentação contrariou a equipe econômica e acendeu o alerta dentro do governo sobre o risco de novas derrotas em ano eleitoral.

Na semana passada, Alcolumbre também anunciou a votação de outra proposta considerada sensível pelo Executivo: uma PEC que cria aposentadoria especial para agentes de saúde. A tarefa da nova líder, segundo senadores, será ganhar tempo para que o governo apresente alternativas, negocie ajustes ou construa um acordo capaz de reduzir o impacto fiscal das medidas.

A equipe econômica já indicou que poderá recorrer ao Supremo para tentar barrar o avanço de propostas consideradas incompatíveis com a responsabilidade fiscal. A judicialização, no entanto, é vista como uma saída extrema, enquanto a articulação política segue como caminho preferencial para evitar novas derrotas no Congresso.

Outro desafio imediato para Teresa Leitão será a tramitação de Medidas Provisórias. Atualmente, 34 MPs estão em análise no Congresso, muitas delas sem sequer a instalação das comissões mistas responsáveis por examinar os textos antes da votação na Câmara e no Senado. A lentidão nesse processo ameaça a validade de medidas importantes para o governo e amplia a pressão sobre a nova líder.

A chegada de Teresa ao posto ocorre, portanto, em um dos momentos mais delicados da relação entre o Planalto e o Senado. Com pautas estratégicas paradas, risco fiscal crescente e um canal ainda fragilizado com Davi Alcolumbre, a senadora terá de combinar negociação política, capacidade de contenção e articulação interna para tentar reorganizar a base governista na Casa.

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