Toffoli descarta se declarar impedido em processo sobre o Banco Master
Viagem em jatinho com advogado ligado a Daniel Vorcaro, sigilo integral e decisões que limitaram a atuação da PF ampliam críticas e pressionam o STF
247 – O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli não considera a possibilidade de se declarar impedido para relatar o processo envolvendo o Banco Master, apesar do crescimento das críticas à sua atuação no caso. A informação foi atribuída a interlocutores do tribunal ouvidos pela revista CartaCapital, em relato reproduzido pelo site Diário do Centro do Mundo.
Segundo esses interlocutores, a hipótese de impedimento é vista como “fora do radar” pelo próprio magistrado, mesmo após a controvérsia ganhar força com a divulgação de que Toffoli viajou em um jatinho particular ao lado de um advogado ligado a Daniel Vorcaro, controlador do banco. A viagem ocorreu pouco depois de o ministro ter determinado sigilo rigoroso sobre o processo.
Reportagens também apontaram vínculos profissionais entre familiares do ministro e a instituição financeira, elemento que ampliou o escrutínio público e institucional em torno da permanência de Toffoli na relatoria. No STF, o caso passou a ser acompanhado com cautela, diante do potencial desgaste para a Corte e do ambiente de pressão política criado pela sucessão de questionamentos.
Além das críticas externas, Toffoli passou a ter atritos com a Polícia Federal, conforme os relatos sobre decisões tomadas no âmbito do processo. Em uma delas, após autorizar buscas e apreensões, o ministro determinou que todo o material recolhido fosse lacrado e encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR), impedindo a análise imediata pela PF.
A medida chamou atenção dentro do próprio sistema de Justiça porque a Polícia Federal é descrita como o órgão com a tecnologia necessária para acessar aparelhos eletrônicos apreendidos. Ainda assim, aliados relataram que o ministro “segue trabalhando normalmente”, embora reconheçam, de forma reservada, que o volume de questionamentos produz impacto político e institucional.
Suspeição descartada
No tribunal, integrantes avaliam que pedidos formais de suspeição ainda podem ser apresentados. Caso isso ocorra, caberá à Presidência do STF decidir sobre os próximos passos. Os ministros Edson Fachin e Alexandre de Moraes, que se alternam na presidência da Corte, acompanham o caso sem manifestações públicas, de acordo com o relato.
A investigação tem origem na Operação Compliance Zero. No fim de novembro de 2025, a defesa de Daniel Vorcaro pediu ao Supremo que o inquérito — então sob responsabilidade da 10ª Vara Federal Criminal do Distrito Federal — fosse remetido ao STF. Os advogados alegaram que, durante as buscas, surgiram documentos com menções a autoridades com foro por prerrogativa de função.
O processo foi redistribuído por sorteio a Dias Toffoli e, no mesmo dia, o ministro determinou a imposição de sigilo integral sobre os autos. A combinação entre a mudança de instância, a decretação de sigilo e os episódios reportados — como a viagem em aeronave privada com personagem ligado ao entorno do controlador do banco — passou a alimentar a percepção de que o caso pode se transformar em mais um teste sensível para a credibilidade institucional do Supremo.
Em um ambiente já marcado por cobranças públicas por transparência, previsibilidade e isonomia, a discussão sobre impedimento ou suspeição costuma ganhar relevo não apenas pelo desfecho jurídico, mas também pelo que comunica sobre padrões de integridade, autocontenção e confiança social no sistema de Justiça. Até aqui, porém, conforme o relato atribuído a interlocutores do STF, Toffoli não vê motivo para se afastar da relatoria.

