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Toffoli se declara suspeito para decidir sobre a CPI do Banco Master

O ministro do STF alegou “foro íntimo”

Dias Toffoli (Foto: Rosinei Coutinho/STF)

247 - O ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli declarou-se suspeito de analisar um pedido com o objetivo de obrigar a Câmara dos Deputados a instalar uma CPI sobre o Banco Master. A decisão foi anunciada nesta quarta-feira (11). 

O magistrado alegou “foro íntimo” e não forneceu mais detalhes. Ele havia deixado a relatoria do caso Master após reportagens apontarem que ele é sócio de uma empresa que vendeu a fundos ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro parte do resort Tayayá, que fica no Paraná. Um relatório da Polícia Federal enviado ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin, citava o nome do magistrado com base em informações obtidas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro.

Um conjunto de informações reunidas pela Polícia Federal durante as apurações do caso trouxe à tona indícios que colocam o Banco Master no centro de uma investigação de grande repercussão. O material produzido pelos agentes não apenas expõe suspeitas sobre a conduta da instituição financeira, como também aponta para possíveis irregularidades em sua operação.

O impacto financeiro estimado é expressivo. De acordo com o que foi apurado pela PF, as práticas sob escrutínio podem ter gerado um rombo de até R$ 47 bilhões no Fundo Garantidor de Créditos (FGC), entidade criada justamente para proteger investidores em casos de colapso ou insolvência bancária.

O nome de Daniel Vorcaro já havia aparecido nas investigações anteriormente. No ano passado, o empresário chegou a ser alvo de uma ordem de prisão, mas obteve liberdade provisória com o uso de tornozeleira eletrônica. Agora, uma nova ordem de detenção foi expedida, desta vez embasada no conteúdo de mensagens recuperadas do celular do banqueiro — aparelho apreendido na primeira fase da Operação Compliance Zero. As conversas, segundo os investigadores, sugerem ameaças direcionadas a jornalistas e a pessoas que teriam se colocado em posição contrária aos interesses do empresário.

Entre os casos concretos citados pela PF estão supostas ameaças ao jornalista Lauro Jardim e a uma trabalhadora doméstica. As apurações também indicam que Vorcaro teria escondido mais de R$ 2,2 bilhões em uma conta registrada no nome de seu pai, Henrique Moura Vorcaro. Outro ponto grave levantado pelos investigadores é o acesso indevido a sistemas de diversas instituições, incluindo plataformas da própria Polícia Federal, do Ministério Público Federal, do FBI e da Interpol.

Por meio de nota divulgada por sua assessoria de imprensa, Vorcaro contestou a interpretação das mensagens que lhe são atribuídas, alegando que o conteúdo foi analisado fora do contexto em que foi produzido. O empresário afirmou que "jamais teve intenção de intimidar ou ameaçar jornalistas e que suas mensagens foram tiradas de contexto", e acrescentou: "Sempre respeitei o trabalho da imprensa e, ao longo de minha trajetória empresarial, mantive relacionamento institucional com diversos veículos e jornalistas".

Sobre as conversas mais contundentes mencionadas nas investigações, o banqueiro admitiu a possibilidade de ter se exaltado em determinados momentos, mas negou qualquer intenção de causar dano. "Não me lembro de minhas conversas por telefone, mas, se em algum momento me exaltei em mensagens no passado, o fiz em tom de desabafo, em privado, sem qualquer objetivo de intimidar quem quer que seja. Jamais determinei ou determinaria agressões ou qualquer espécie de violência", declarou.

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