Toffoli sinaliza que seguirá à frente de inquérito do Master no STF
Ministro argumenta que não vê impedimento ou suspeição e quer evitar anulação de decisões já tomadas
247 - O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli tem afirmado a pessoas próximas e a colegas da Corte que não pretende deixar a relatoria do inquérito que investiga o Banco Master, informa o Metrópoles. Segundo esses relatos, o magistrado sustenta que não existem razões jurídicas para se declarar impedido ou suspeito no caso, apesar das críticas feitas por setores da política em Brasília à sua atuação.
Toffoli também argumenta que uma eventual saída do processo provocaria a anulação de todas as decisões já tomadas, fazendo com que a investigação retornasse ao ponto inicial e fosse redistribuída a outro ministro por sorteio.
De acordo com o entendimento do ministro, a condução do inquérito busca justamente prevenir questionamentos futuros sobre nulidades. Ele tem reiterado a interlocutores que não há parcialidade em suas decisões e que a avocação dos processos relacionados ao tema para o STF ocorreu como forma de dar segurança jurídica ao andamento das investigações.
A atuação de Toffoli passou a ser alvo de maior pressão após a deflagração da segunda fase da Operação Compliance Zero. Na ocasião, o ministro determinou que as provas obtidas ficassem sob a guarda da Procuradoria-Geral da República (PGR), e não diretamente com a Polícia Federal (PF), o que gerou insatisfação entre delegados da corporação.
Posteriormente, Toffoli autorizou que quatro peritos da PF acompanhassem a extração de dados e a perícia do material apreendido. Ainda assim, integrantes da polícia avaliam que esse trabalho deveria ser realizado por setores internos da própria instituição, sem a condução direta do ministro. Um dos peritos indicados já havia atuado em investigações da Operação Lava Jato.
Relator do inquérito, que tramita sob sigilo no STF, Toffoli também concordou com um pedido da Polícia Federal para a prorrogação das investigações por mais 60 dias.
Inicialmente, os itens apreendidos — como telefones celulares, computadores e outros equipamentos eletrônicos — permaneceriam lacrados e sob custódia na sede do Supremo. Posteriormente, Toffoli revisou esse entendimento e determinou que a guarda do material fosse transferida à PGR.
A operação mais recente incluiu novas buscas e apreensões em endereços ligados a Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, além da decretação da prisão temporária do investidor Fabiano Campos Zettel, cunhado de Vorcaro, ampliando o alcance das investigações em curso no Supremo Tribunal Federal.


