Veja como votou cada parlamentar na redução da maioridade aprovada na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara
PEC que reduz maioridade penal para 16 anos teve 44 votos favoráveis e 18 contrários na votação
247 - Parlamentares de 11 partidos ficaram entre os 44 deputados que votaram a favor da admissibilidade da Proposta de Emenda à Constituição (PEC 32/15) que reduz a maioridade penal no Brasil de 18 anos para 16 anos e foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara dos Deputados - PL, União Brasil, PP, MDB, PSD, Republicanos, Cidadania, PSDB, Podemos, PRD e Solidariedade. A informação foi publicada pelo Metrópoles.
A proposta recebeu 18 votos contrários na CCJ. Entre os parlamentares que se posicionaram contra a redução da maioridade penal estão deputados de PT, PCdoB, PV, PSD, PDT, PSB, Avante, Rede e PSOL. O projeto ainda precisa superar etapas decisivas dentro da Câmara antes de seguir para o Senado.
Por se tratar de uma mudança constitucional, a tramitação exige quórum qualificado. O texto só avançará caso obtenha apoio de ao menos três quintos dos deputados em dois turnos de votação no plenário, depois de passar pela comissão especial a ser criada.
Lista de parlamentares que votaram a favor da PEC
- Alfredo Gaspar (PL-AL)
- Bia Kicis (PL-DF)
- Cap. Alberto Neto (PL-AM)
- Carlos Jordy (PL-RJ)
- Coronel Assis (PL-MT)
- Mendonça Filho (PL-PE)
- Delegado Bilynskyj (PL-SP)
- Julia Zanatta (PL-SC)
- Marcos Pollon (PL-MS)
- Nikolas Ferreira (PL-MG)
- Pr. Marco Feliciano (PL-SP)
- Rodolfo Nogueira (PL-MS)
- Zé Trovão (PL-SC)
- Arthur O. Maia (União-BA)
- Coronel Ulysses (União-AC)
- Fabio Garcia (União-MT)
- Fausto Pinato (União-SP)
- José Rocha (União-BA)
- Leur Lomanto Jr. (União-BA)
- Paulo Azi (União-BA)
- Rodrigo de Castro (União-MG)
- Def. Stélio Dener (União-RR)
- Da Vitoria (PP-ES)
- Sérgio Turra (PP-RS)
- Toninho Wandscheer (PP-PR)
- Dilceu Sperafico (PP-PR)
- Átila Lira (PP-PI)
- Danilo Forte (PP-CE)
- Renilce Nicodemos (MDB-PA)
- Cleber Verde (MDB-MA)
- Domingos Neto (PSD-CE)
- Lucas Redecker (PSD-RS)
- Mersinho Lucena (PSD-PB)
- Aluisio Mendes (Republicanos-MA)
- Juarez Costa (Republicanos-MT)
- Ricardo Ayres (Republicanos-TO)
- Roberto Duarte (Republicanos-AC)
- Julio Cesar Ribeiro (Republicanos-DF)
- Alex Manente (Cidadania-SP)
- Marcos Soares (PSDB-RJ)
- Felipe Francischin (Pode-PR)
- Gilson Daniel (Pode-ES)
- Marreca Filho (PRD-MA)
- Aureo Ribeiro (Solidariedade-RJ)
Parlamentares contrários ao texto
- Alencar Santana (PT-SP)
- Daiana Santos (PCdoB-RS)
- Helder Salomão (PT-ES)
- Luiz Couto (PT-PB)
- Orlando Silva (PCdoB-SP)
- Patrus Ananias (PT-MG)
- Paulo Teixeira (PT-SP)
- Renildo Calheiros (PCdoB-PE)
- Nilto Tatto (PT-SP)
- Bacelar (PV-BA)
- Túlio Gadêlha (PSD-PE)
- Félix Mendonça Jr. (PDT-BA)
- Pompeo de Mattos (PDT-RS)
- Lídice da Mata (PSB-BA)
- Tabata Amaral (PSB-SP)
- Waldemar Oliveira (Avante-PE)
- Marina Silva (Rede-SP)
- Sâmia Bomfim (PSOL-SP)
Entenda
A análise envolveu a PEC 32/15 e propostas apensadas. O texto ainda precisa passar por novas etapas de tramitação antes de eventual aprovação definitiva no Congresso Nacional. A proposta principal foi apresentada pelo ex-deputado Gonzaga Patriota (PE). Em sua versão original, o texto previa a plena maioridade civil e penal aos 16 anos. Na prática, adolescentes nessa faixa etária passariam a responder criminalmente como adultos e também teriam acesso a direitos da vida adulta. Os relatos a seguir foram reproduzidos da Agência Câmara.
Pelo texto inicial, jovens de 16 anos poderiam casar, assinar contratos e obter a CNH (Carteira Nacional de Habilitação). A proposta também tornava o voto obrigatório nessa idade e reduzia a idade mínima para disputar cargos eletivos, como o de vereador.
Relator restringe texto à área penal
O parecer aprovado na CCJ foi apresentado pelo deputado Coronel Assis (PL-MT). O relator retirou do texto as mudanças relacionadas à esfera civil e manteve apenas a previsão de punição criminal para maiores de 16 anos. Assis afirmou que a retirada dos pontos sobre direitos civis busca evitar que a PEC trate de temas distintos ao mesmo tempo. Segundo ele, a mudança procura impedir “confusão jurídica”.
Com a alteração, a proposta aprovada na comissão concentra o debate na responsabilização penal de adolescentes a partir dos 16 anos, sem modificar regras sobre casamento, contratos, habilitação, voto obrigatório ou idade mínima para candidatura.
PECs apensadas também avançam
Além da PEC principal, o parecer de Coronel Assis recomenda a admissibilidade de outras duas propostas anexadas ao texto. Uma delas, a PEC 8/26, propõe reduzir a maioridade penal apenas em situações excepcionais. O texto cita casos de crimes hediondos ou de extrema crueldade, com avaliação técnica do adolescente.
A outra proposta, a PEC 9/26, prevê a redução geral da maioridade penal para 16 anos em todos os crimes. Essa PEC também estabelece que adolescentes de 12 a 16 anos respondam criminalmente se cometerem crimes com violência, grave ameaça ou contra a vida.
Próximos passos
A aprovação na CCJ trata apenas da admissibilidade da proposta, ou seja, da análise sobre sua compatibilidade com a Constituição. O mérito ainda será discutido em outras fases da tramitação.
Com o resultado, a Câmara dá andamento a uma das pautas mais sensíveis do debate sobre segurança pública e responsabilização penal de adolescentes no país. A votação por 44 a 18 na CCJ mostra que a proposta tem apoio expressivo na comissão, mas ainda depende de novas deliberações para seguir adiante no Congresso.


