ANP decreta interdição total da Refit, no Rio de Janeiro, por risco de acidentes e incêndio
Inspeção constatou que as condições operacionais da antiga refinaria de Manguinhos representavam ameaça à segurança
247 - A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) determinou a interdição total da Refit, antiga refinaria de Manguinhos, localizada no Rio de Janeiro. A decisão foi tomada após uma nova inspeção de segurança que identificou riscos relevantes de acidentes e incêndio nas instalações da unidade. Segundo a coluna do jornalista Octavio Guedes, do G1, a medida foi adotada nesta quinta-feira (29) após técnicos constatarem que as condições operacionais representavam ameaça à segurança, o que levou à ampliação da sanção anteriormente aplicada.
Inspeção de segurança motivou decisão
De acordo com a agência reguladora, a vistoria mais recente revelou falhas que aumentavam o risco de ocorrências graves dentro da refinaria. Diante do cenário identificado, a ANP optou por interditar completamente o empreendimento, suspendendo todas as atividades.
Refinaria já operava sob interdição parcial
Desde o ano passado, a Refit já funcionava com restrições impostas pela ANP. Na ocasião, apenas a torre de refino de combustíveis havia sido proibida de operar, enquanto os tanques destinados à formulação de combustíveis continuavam em funcionamento.Com a nova ação fiscalizatória, a agência decidiu avançar para a paralisação integral da refinaria, considerada pelos investigadores como uma unidade de operação irregular.
Investigação apura esquema bilionário de sonegação
A Refit foi alvo da operação Poço de Lobato, que apura um esquema de sonegação fiscal e lavagem de dinheiro envolvendo a cadeia de combustíveis. Segundo os investigadores, o grupo empresarial ligado à refinaria utilizava estruturas complexas para ocultar lucros e reduzir o pagamento de impostos.
Conforme dados da Receita Federal, o grupo teria movimentado mais de R$ 70 bilhões em apenas um ano, por meio de empresas próprias, fundos de investimento e companhias offshore instaladas em paraísos fiscais. As apurações indicam que o esquema teria causado um prejuízo estimado em R$ 26 bilhões aos cofres estaduais e federais.
O grupo é comandado pelo empresário Ricardo Magro e é apontado como um dos maiores devedores de ICMS do país, figurando entre os principais devedores nos estados de São Paulo e do Rio de Janeiro, além da União.

