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Banco Central é acionado para apurar empresa ligada ao Master no Rio

Pedido mira a PKL One, ligada a sócio do Banco Master, após relatos de superendividamento de servidores estaduais

Prédio do Banco Central do Brasil, em Brasília (Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)
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247 - O Banco Central recebeu um pedido de investigação sobre um suposto esquema que teria levado servidores, aposentados e pensionistas do Estado do Rio de Janeiro ao superendividamento, com descontos automáticos em folha que, em alguns casos, deixaram trabalhadores com valores residuais irrisórios ao fim do mês, relata Lauro Jardim, do jornal O Globo.

A representação foi encaminhada pelo deputado estadual Flávio Serafini, presidente da Comissão de Servidores da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), e mira a atuação da PKL One, empresa ligada a Augusto Lima, sócio de Daniel Vorcaro, além da transferência de carteiras do Credcesta.

O pedido apresentado ao Banco Central aponta suspeitas sobre a forma como a PKL One teria operado no sistema de consignações do funcionalismo fluminense. O documento cita a ausência de autorização da empresa para funcionar como instituição financeira e sustenta que há indícios de “direcionamento providencial e customizado” para permitir que a operadora assumisse espaço relevante na folha de pagamento do Estado do Rio de Janeiro.

A comissão presidida por Serafini também relaciona o caso a mudanças feitas na regulamentação das consignações estaduais durante o governo de Cláudio Castro. De acordo com a representação, um decreto editado em 2021 teria sido elaborado “sob medida” para atender ao Banco Master.

Segundo o parlamentar, as alterações nas regras das consignações abriram caminho para que servidores tivessem até 100% da renda líquida comprometida por descontos automáticos em folha. Esses descontos estariam associados a produtos financeiros com juros mensais entre 5,5% e 6%, além de custo efetivo total anual superior a 100%.

A Comissão de Servidores da Alerj analisou 195 contracheques e identificou situações consideradas extremas de comprometimento da renda. Entre os casos examinados, há servidores e pensionistas que receberam valores líquidos inferiores ao salário mínimo, abaixo da linha de pobreza e até mesmo menores que o mínimo existencial definido pelo governo federal.

O caso mais grave mencionado pela comissão registra saldo líquido de apenas R$ 2,83 ao fim do mês. O dado foi incluído na representação como exemplo do impacto dos descontos sobre a renda de trabalhadores e beneficiários vinculados ao Estado do Rio de Janeiro.

O pedido agora encaminhado ao Banco Central busca apurar a atuação da PKL One, a transferência das carteiras do Credcesta e as condições que permitiram a expansão das operações de crédito vinculadas à folha de pagamento estadual. A investigação solicitada também pretende esclarecer se houve irregularidades na estrutura montada para viabilizar os descontos automáticos sobre os vencimentos de servidores, aposentados e pensionistas.

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