Castro diz a aliados que deixará governo do Rio de Janeiro na segunda-feira
Com a renúncia, o governador força eleição indireta na Alerj e mantém chance de disputar o Senado. STF já suspendeu o processo legislativo
247 - O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), comunicou a seus aliados nesta sexta-feira (20) que formalizará sua renúncia ao cargo na próxima segunda-feira (23). A decisão, segundo o SBT News, foi confirmada pelo próprio governador ao seu círculo político mais próximo, representa uma manobra estratégica diante do avanço do processo de cassação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ao antecipar a saída do cargo antes de uma eventual condenação pelo TSE, o governador tenta preservar seus direitos políticos e, com isso, manter aberta a possibilidade de disputar uma vaga no Senado Federal.
Ao mesmo tempo, a renúncia força a abertura de um processo de eleição indireta, transferindo para a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro a responsabilidade de escolher o novo governador — um caminho que, na avaliação de seus aliados, lhe é politicamente mais favorável do que aguardar o desfecho do julgamento no tribunal.
Com a saída de Castro, o estado do Rio de Janeiro passará a ser administrado interinamente pelo presidente do Tribunal de Justiça fluminense, o desembargador Ricardo Couto de Castro, até que a Alerj conclua o processo de eleição indireta. O trâmite legislativo, no entanto, enfrenta um obstáculo institucional: o Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu o processo, criando um compasso de espera jurídico que adiciona incerteza ao cenário político do estado.
O julgamento
O pano de fundo que acelerou a decisão de Castro é o julgamento que o TSE retoma na próxima terça-feira (24). Na pauta, um recurso com potencial de torná-lo inelegível por oito anos e de decretar a perda do mandato de governador.
O quadro no tribunal é desfavorável ao gestor fluminense: dois votos já foram proferidos contra sua permanência no cargo, incluindo o da relatora do caso, a ministra Isabel Gallotti. A única vitória recente de Castro nas instâncias eleitorais ocorreu no Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro, mas o TRE-RJ não tem a palavra final sobre o tema.
A combinação entre a iminência do julgamento no TSE, o placar adverso e a perspectiva de inelegibilidade de longo prazo criou o cenário que levou Castro a optar pela saída antecipada. Ao renunciar antes de ser cassado, o governador evita a perda automática dos direitos políticos que normalmente acompanha uma condenação eleitoral — e mantém, ao menos formalmente, suas chances de retornar à vida pública em eleições futuras.
Em setembro de 2022, dois fronts jurídicos foram abertos simultaneamente contra Castro na Justiça Eleitoral: o Ministério Público Eleitoral e a coligação de apoio ao seu adversário na disputa, Marcelo Freixo (PT), ingressaram com ações de investigação eleitoral. As acusações abrangiam abuso de poder político e econômico, irregularidades na aplicação de recursos da campanha e comportamento vedado a agentes públicos durante o período eleitoral.


