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Cláudio Castro é alvo da PF 10 dias após operação policial ligada à Refit

Ex-governador deixou rastro de suspeitas durante gestão no Palácio Guanabara e se torna, de novo, alvo de operação da Polícia Federal

Rio de Janeiro (RJ) - 24/10/2024 - O governador do Rio, Cláudio Castro, fala à imprensa após a morte de três pessoas baleadas na Avenida Brasil, próximo do Complexo de Israel, onde acontecia uma operação da Polícia Militar, na Zona Norte (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)
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247 - O ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) voltou ao centro do noticiário político em meio a uma sequência de investigações que envolvem Refit, Rioprevidência, Ceperj, Uerj e suspeitas de corrupção, consolidando um quadro de forte desgaste em torno de sua trajetória no comando do estado, destaca Lauro Jardim no jornal O Globo.

Castro foi alvo de ações da Polícia Federal em um intervalo inferior a duas semanas. Em 16 de maio, o foco das apurações estava em suas relações suspeitas com a Refit, apontada como a maior devedora de impostos do Brasil. Agora, o novo eixo de pressão envolve a aplicação de quase R$ 1 bilhão do Rioprevidência, fundo de pensão dos servidores públicos fluminenses, em letras financeiras do Banco Master.

A sucessão de casos inclui suspeitas de cargos fantasmas na Ceperj e na Uerj, pagamentos feitos em dinheiro vivo, acusações de abuso de poder eleitoral, investigações sobre programas assistenciais, proximidade com empresários investigados, possível favorecimento à Refit e a ligação entre o Rioprevidência e o Banco Master, comandado por Daniel Vorcaro.

Caso Refit é apontado como o mais sensível

Entre os episódios que mais pressionam Castro, o caso Refit aparece como um dos mais graves. A PF sustenta que a estrutura do governo estadual teria sido usada para beneficiar interesses do empresário Ricardo Magro, dono da Refinaria de Manguinhos. A empresa é alvo de uma investigação bilionária sobre suspeitas de fraude fiscal, evasão de divisas e lavagem de dinheiro.

As apurações citam agentes públicos que, segundo os investigadores, poderiam receber mais de R$ 300 mil por mês para destravar processos de interesse da empresa, incluindo licenças ambientais. Um dos pontos de maior atenção foi a aprovação, durante o governo Castro, de uma lei que autorizou o parcelamento de R$ 9,5 bilhões em dívidas da Refit, com descontos que poderiam chegar a 95% em juros e multas.

Nos bastidores do Rio, a medida passou a ser chamada de “Lei Ricardo Magro”. O caso reforçou o desgaste político do ex-governador e ampliou a lista de suspeitas envolvendo sua administração.

Rioprevidência e Banco Master ampliam crise

Outro ponto de pressão envolve o Rioprevidência. Embora os problemas financeiros da fundação previdenciária tenham origem em gestões anteriores, o caso ganhou nova dimensão durante o governo Castro com a aplicação de quase R$ 1 bilhão em letras financeiras do Banco Master.

A operação ocorreu mesmo diante de alertas do TCE sobre riscos associados à aplicação. A PF deflagrou a Operação Barco de Papel, que levou à prisão de Deivis Marcon Antunes, ex-diretor-presidente do Rioprevidência indicado por Castro. Ele é acusado de obstrução de investigações e ocultação de provas.

A ligação entre o fundo previdenciário dos servidores do Rio e o Banco Master passou a integrar o conjunto de episódios que cercam o ex-governador, somando-se a outras frentes de apuração abertas nos últimos anos.

"Folha secreta" da Ceperj gerou maior desgaste político

O escândalo conhecido como “folha secreta” da Ceperj foi um dos episódios de maior impacto político para Castro. Segundo investigações eleitorais, o governo teria montado uma estrutura paralela de contratações temporárias, com mais de 27 mil postos na Ceperj e outros 18 mil na Uerj.

A suspeita é que essa rede tenha abastecido uma engrenagem de cabos eleitorais na campanha de 2022. O caso ganhou ainda mais repercussão quando vieram à tona informações de que milhares de pagamentos eram feitos em dinheiro vivo, diretamente na boca do caixa.

Foi esse conjunto de suspeitas que levou o caso ao TSE. Castro acabou condenado por abuso de poder político e econômico e ficou inelegível até 2030. Antes da conclusão do julgamento, renunciou ao cargo em uma tentativa de evitar a cassação formal do mandato.

Fundação Leão XIII também entrou no radar

Outro caso que marcou a trajetória de Castro foi a investigação envolvendo a Fundação Leão XIII, instituição do governo do Rio voltada à assistência social e ao atendimento de populações em situação de extrema pobreza.

Delatores acusaram Castro de receber propina em dinheiro vivo para manter contratos ligados a programas sociais quando ainda era vice-governador. O caso acabou encerrado no STF por questões processuais relacionadas ao foro, mas continuou a ter repercussão no ambiente político fluminense.

Em 2023, em um dos desdobramentos da investigação sobre possíveis fraudes em programas assistenciais, Vinícius Sarciá Rocha, irmão de criação de Castro, chegou a ser preso. O episódio se somou à lista de investigações e suspeitas que mantêm o ex-governador sob forte pressão política e judicial.

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